Disputa entre PT e PDT deve adiar conclusão da reforma ministerial

Por Painel

Ninguém me tira A disputa entre PT e PDT pelo Ministério do Trabalho deve obrigar o Palácio do Planalto a adiar mais uma vez a conclusão da reforma ministerial, que Dilma Rousseff previa para hoje. Em conversas com articuladores políticos do governo, dirigentes pedetistas se recusaram a abrir mão da vaga. O impasse travou a definição do espaço do PT na Esplanada, uma vez que a pasta era considerada uma peça-chave para compensar a retirada do Ministério da Educação da cota petista.

Rede furada Dilma decidiu que o Ministério do Trabalho terá uma atribuição a menos a partir de 2015: a fiscalização do seguro defeso, benefício pago a pescadores em época de pesca proibida ou baixa temporada.

Arrastão O monitoramento passará a ser feito pelo INSS, vinculado à Previdência Social. O governo quer implantar um sistema de fiscalização pesada para acabar com fraudes no pagamento.

Motim A insatisfação do PT com a reforma ministerial cresceu tanto que dirigentes da sigla ensaiam uma reação mais clara à escolha de Pepe Vargas para a Secretaria de Relações Institucionais.

Fritura Deputados da corrente petista Construindo um Novo Brasil, majoritária no partido, dizem que Vargas, da tendência Democracia Socialista, “não tem capacidade de articulação política” e que sua indicação vai rachar a bancada do PT na Câmara.

Tudo… Também insatisfeita com o novo desenho do governo, a cúpula do PMDB vai exigir de Dilma a verticalização de suas seis pastas.

… dominado Sob o Ministério do Turismo, peemedebistas querem comandar a Embratur, hoje controlada pelo PC do B. Também pedirão a Conab, vinculada ao Ministério da Agricultura.

Última chamada Com a indefinição do anúncio de novos ministros, alguns candidatos à Esplanada compraram passagens para voar a Brasília na manhã de hoje. Querem estar a postos caso sejam convocados.

Bolsa cimento O PSD começou a usar a indicação de Gilberto Kassab para o Ministério das Cidades para atrair deputados de outros partidos para a nova sigla do ex-prefeito, o PL. O argumento é que a pasta dará mais força política aos aliados de Kassab.

Recado dado Emissários do governo procuraram o Ministério Público Federal há cerca de um mês para manifestar sua preocupação com o impacto das denúncias contra empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. O cenário apresentado foi de consequências catastróficas para a economia do país.

Sem recibo Procuradores reagiram com ressalvas. “É inegável que haverá um impacto econômico, mas não se pode criar uma imunidade jurídica por esse motivo”, diz um membro do MPF.

Mais que restrito Apenas três integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República tiveram acesso à lista de políticos citados tanto por Paulo Roberto Costa quanto por Alberto Youssef. Um dos leitores foi o procurador-geral, Rodrigo Janot.

Na conta Responsável pela repatriação do dinheiro desviado pelo esquema na Petrobras, a Secretaria Nacional de Justiça começará 2015 sem titular. José Eduardo Cardozo (Justiça) quer escolher a dedo o substituto de Paulo Abrão, que deixou o cargo.

Na fila Também está na lista de prioridades do ministro a indicação da nova cúpula da Funai.

Natal do pibinho Em ano de crise econômica, deputados e senadores lamentam que seus colegas tenham economizado nos presentes que costumam distribuir no Congresso em dezembro. As garrafas de champanhe Veuve Clicquot sumiram dos gabinetes, que até agora só receberam “lembrancinhas”.


TIROTEIO

Promovido para a Esplanada, Jaques Wagner deixou duas marcas na Bahia: a maior greve da PM e o aumento da violência em Salvador.

DO DEPUTADO VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), sobre a escolha do governador baiano, Jaques Wagner (PT), para o Ministério da Defesa de Dilma Rousseff.


CONTRAPONTO

Fora da área de cobertura

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, participou de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado no dia 11 de dezembro para apresentar informações sobre o relatório final do trabalho do grupo, que havia sido entregue na véspera ao Palácio do Planalto. Depois de detalhar os resultados no Congresso, o advogado pediu desculpas por ter que deixar a reunião antes do fim:
–Vocês não sabem o que é coordenar um órgão público que vai ser extinto. Em cinco dias você tem que devolver tudo, até o celular. Eu praticamente deixo de existir no mundo! –brincou Dallari.