Governo e MP criam grupo para mediar acordos de leniência na Lava Jato

Por Painel

Seara administrativa Um grupo de trabalho a ser criado nesta semana vai regular eventuais acordos de leniência com empresas investigadas na Operação Lava Jato. Integrarão a iniciativa AGU (Advocacia-Geral da União), CGU (Controladoria-Geral da União), Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e Ministério Público Federal. O grupo vai definir regras de “compliance” e ressarcimento de valores desviados e requisitos para as empresas continuarem a contratar com o setor público.

Uniforme Até agora são nove as empresas investigadas por suposto pagamento de propina e superfaturamento em obras da Petrobras. A intenção é firmar um conjunto de condições que sejam válidas para todas que se propuserem a fechar acordos.

Separado Os eventuais arranjos administrativos não interferirão na investigação criminal dos desvios na Petrobras pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça.

Global A advogada Beatriz Catta Preta, que coordenou o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, registrou uma empresa na Florida (EUA) no fim de outubro, a Catta Preta Consulting.

No papel Procurada pela coluna, a criminalista afirmou que a firma não começou a funcionar e foi aberta apenas como um “plano futuro”, pois tem muitos clientes brasileiros em Miami.

Concorrência 1 Entre as apreensões da Lava Jato, há um e-mail de Léo Pinheiro, presidente da OAS, para o dono da empreiteira, Cesar Mata Pires, em fevereiro de 2012, cujo assunto é “Marcelo Odebrecht”, presidente da empresa que leva o sobrenome.

Concorrência 2 “Estive ontem em Juazeiro do Norte. Como o nosso Marcelo é do tamanho do nosso Grampinho, ninguém o viu”, escreve Pinheiro, comparando a estatura do herdeiro da Odebrecht à do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) –usando um antigo apelido.

Veneno Mata Pires, ex-genro de Antonio Carlos Magalhães, com quem era rompido, replica, com ironia: “Pertencem a uma terceira geração de grandes e poderosos líderes. Ambos carismáticos e obstinados”.

Castelo… A dificuldade em aprovar a alteração da meta fiscal mostrou ao Planalto que, com o crescimento da oposição e o aumento de dissidentes, será difícil obter quorum e votos para aprovar as promessas de campanha de Dilma Rousseff.

… de cartas Entre os petistas, uma preocupação é que o partido fique cada vez mais refém de Renan Calheiros e do PMDB. Nas votações da última semana, não foi fácil chegar a 41 senadores, o mínimo necessário para impedir a derrubada da sessão.

Sem raio-x Técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que analisam as contas de campanha de Dilma relatam que o prazo que receberam é curto demais para verificar a regularidade de todas as notas. Só será possível encontrar “fraturas expostas”.

Bedel Chamou a atenção do palácio a ausência de mais de 15 deputados do PT na votação da meta fiscal. Os nomes dos faltosos foram para a lista negra do Planalto.

Alves

Abestado Tiririca (PR-SP) tomou uma bronca do secretário-geral do partido, Antônio Carlos Rodrigues, por ter votado contra o governo. “Vocês pediram para eu ficar no plenário, não para votar a favor”, retrucou o deputado.

Macacão Além de ter agendado mesa de discussão com sindicalistas no início do próximo mandato, Dilma marcou reunião com as cinco maiores centrais amanhã.


TIROTEIO

“Não foi só o Aécio a comparar o governo do PT a uma organização criminosa. Agora o Ministério Público Federal endossa a tese.”

DE ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB), prefeito de Manaus (AM), sobre procuradores terem feito um paralelo entre o esquema que havia na Petrobras e o PCC.


CONTRAPONTO

Falso cognato

Ao final de mais uma sessão extraordinária sem quorum na Câmara na última semana, o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP) brincou com Dr. Ubiali (PSB-SP), que ocupava a presidência da Mesa.
–Por que Vossa Excelência, quando encerrava a sessão, disse “nada mais havendo a tratar”, se não tratamos de nada aqui hoje?
Ouvindo o papo, Chico Alencar (PSOL-RJ) ironizou:
–Colegas, tratamos dos mais variados assuntos, desde o meio-dia! No Parlamento muito se parla, embora, ultimamente, no Legislativo pouco se legisle…