Nova equipe dará menos peso ao PAC e mais espaço ao investimento privado

Por Bruno Boghossian

O fim da era PAC A nova equipe econômica de Dilma Rousseff vai reduzir o peso dos investimentos públicos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nos projetos de infraestrutura do país. Nelson Barbosa assume o Planejamento com a tarefa de criar um ambiente mais favorável para o setor privado em suas concessões e parcerias. Auxiliares da presidente dizem que o governo será mais flexível na definição de taxas de retorno, com menos resistências à remuneração dos investidores.

Cofre fechado Aliados de Dilma lembram que debates entre Arno Augustin, no Tesouro, e Gleisi Hoffmann, na Casa Civil, sobre o lucro do setor privado congelaram por meses projetos estratégicos de concessão do governo.

Quebrou A avaliação do Planalto é de que o Estado não tem mais condições de despejar dinheiro para alavancar a infraestrutura do país, como no auge do PAC.

Camomila O PT comemorou os primeiros discursos de Joaquim Levy. Também acalmou o partido o fato de Dilma ter sancionado a mudança no indexador da dívida de Estados e municípios –sinal de que a autonomia do ministro será relativa e a presidente seguirá dando as diretrizes da economia.

Amuado 1 Jaques Wagner manifestou a aliados estar descontente com a indefinição sobre seu papel no novo mandato de Dilma. O governador da Bahia disse claramente à presidente que não quer voltar à Secretaria de Relações Institucionais.

Amuado 2 Com a provável ida de Miguel Rossetto para a Secretaria-Geral, Wagner não teria espaço no Palácio do Planalto. A pasta mais vistosa disponível no desenho atual é a das Comunicações, turbinada pelas verbas de publicidade do governo.

Acelera Há dias, Fernando Pimentel (PT) pede que o Planalto anuncie logo Armando Monteiro no Desenvolvimento e libere Mauro Borges para sua equipe em Minas. O mais provável é que ele comande uma empresa do Estado, como a Cemig.

Veja bem A assessoria de Monteiro nega “enfaticamente” que ele tenha convidado Alessandro Teixeira para qualquer cargo no ministério.

 

Como faz? O PT deve costurar um acordo que permita a entrada de Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Garcia na executiva do partido antes da eleição do novo diretório, em 2017.

Sem segredo Terminou ontem o prazo dado pela CPI da Petrobras para que Receita, Banco Central e Anatel entregassem os dados de João Vaccari, tesoureiro do PT. A oposição vai cobrar os papéis.

Diplomacia Aécio Neves trabalha para que a bancada do PSDB concorde em apoiar Julio Delgado para a presidência da Câmara, num gesto de reciprocidade ao PSB, que o apoiou no segundo turno da eleição presidencial.

Para a frente O tucano quer manter a proximidade com o PSB de olho na atuação da oposição no Congresso e nas eleições municipais de 2016 –quando, imagina, os dois partidos podem ter candidatos comuns em diversas cidades-chave.

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Hard rock Petistas preocupados com o ganho de peso da oposição no Senado brincam: “Assim como havia a banda de música da UDN, temos de nos preparar para enfrentar a banda de heavy metal do PSDB e do DEM”.

Abrigo Mais um partido quer oferecer espaço para Marta Suplicy (PT) disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016: o Solidariedade. Paulinho da Força confirma o interesse, mas diz que ainda não procurou a senadora.


TIROTEIO

“A resposta da oposição à escolha de Joaquim Levy e Nelson Barbosa mostra que Dilma acertou. Os adversários perderam o chão.”

DO MINISTRO MOREIRA FRANCO (AVIAÇÃO CIVIL), sobre as reações irônicas da oposição à escolha dos ministros do segundo mandato de Dilma Rousseff.


CONTRAPONTO

Revolução estética

Após receber a Medalha do Mérito Legislativo da Câmara na última semana, o governador eleito do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), encontrou o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) em um corredor da Casa.
O maranhense brincou com o novo visual do petista, que estava sem sua barba característica.
–Pellegrino, estou decepcionado. Você tirou aquela sua barba guevariana… –disse Dino.
Rindo, o deputado baiano ironizou:
–Dino, Guevara não está mais na moda. Agora chamam tudo de “bolivariano”. A oposição só fala nisso!