Planalto comemora metas ‘factíveis’ ditadas por novo trio da economia

Por Vera Magalhães

Três Mosqueteiros Dilma Rousseff comemorou o resultado da entrevista coletiva conjunta do trio que vai comandar a equipe econômica. A conclusão no Planalto é que as falas de Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) funcionaram como “ansiolítico” para o mercado e para o PT e apontaram a nova linha na condução da economia: unidade e, principalmente, metas factíveis, ainda que modestas, como a de 1,2% de superávit para 2015.

Menu As linhas gerais dos discursos do trio econômico foram discutidas com a presidente, em almoço com os novos auxiliares e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Sarrafo subiu A foto da trinca chamou a atenção porque Tombini, que tem cerca de 1,80 m, parecia “baixinho” perto dos demais. Um auxiliar de Dilma brincou: “Trata-se, sem dúvida, de uma equipe de maior estatura”.
Sintonia Joaquim Levy, ontem: “Se a gente não tiver crescimento, (…) é sempre mais difícil fazer qualquer política pública”. Armínio Fraga, em outubro: “Para os salários continuarem a crescer, os programas sociais continuarem a crescer, é preciso que a economia cresça”.

Liturgia O anúncio oficial de Kátia Abreu para a Agricultura será depois de 15 de dezembro, quando a senadora toma posse em novo mandato na CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e, em seguida, se licencia.

Curinga O grupo do ex-presidente Lula ainda tenta emplacar um petista no Ministério das Cidades. A nova cotada é Miriam Belchior, que pode ir ainda para Minas e Energia, BNDES ou Caixa.

Pensando grande Armando Monteiro (PTB-PE) chamou Alessandro Teixeira para a secretaria-executiva do Desenvolvimento, cargo que ele já ocupou. O ex-presidente da Apex, porém, mira a presidência do BNDES.

Figurino 1 Dilma deu pistas, durante o voo Brasília-São Paulo para o velório de Márcio Thomaz Bastos, do perfil que procura para preencher a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal: o de alguém experimentado.

Figurino 2 Num grupo de prefeitos e ministros, a presidente lembrou frase do ex-ministro Nelson Jobim: “Como disse o Jobim, não se faz currículo no Supremo”.

No seguro A estratégia de desmembrar a delação premiada de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, revela o receio da Polícia Federal sobre os ataques dos advogados dos acusados à condução da Lava Jato.

Cautela Se a investigação sobre as empreiteiras e políticos for barrada no futuro, os delegados aprofundarão a apuração sobre pagamento de propina da holandesa SBM a funcionários da petroleira, com ajuda de Barusco.

Nem aí A Comissão de Ética da Presidência reclamou ao juiz Sérgio Moro que Paulo Roberto Costa não respondeu às notificações para colaborar com a investigação interna do órgão.

Mãozinha O Planalto pediu à Justiça acesso aos depoimentos do ex-diretor da Petrobras que não estejam protegidos por sigilo.

Na bomba O Posto da Torre, em Brasília, que deu origem às investigações da Lava Jato, continua funcionando. Seu faturamento, estimam investigadores, é de R$ 500 mil por dia.

Sem clima Jarbas Vasconcelos (PE), sondado como possível candidato à presidência da Câmara, manifesta desconforto em enfrentar Eduardo Cunha (RJ) sendo novato na bancada do PMDB.


TIROTEIO

“A trinca Levy, Barbosa e Tombini chega com o tripé que o mercado gosta: juros altos, arrocho salarial e corte de investimento.”

DE LUCIANA GENRO, ex-candidata à Presidência pelo PSOL, sobre a equipe econômica do próximo mandato de Dilma, confirmada oficialmente ontem.


CONTRAPONTO

Triste é viver na solidão

Cerca de 25 deputados do PSDB se reuniram na última terça-feira, na Câmara, para discutir a estratégia de atuação da bancada. O mineiro Marcus Pestana, aliado de Aécio Neves, disse para colegas numa roda:
–O destino escreve certo por linhas tortas. Se o Aécio ganhasse agora, ia pegar essa profunda crise econômica e política pela frente. Em 2018 o céu estará limpo.
O líder do partido, Antonio Imbassahy (BA), de forma bem humorada, cortou o exercício de otimismo:
–Desculpe, mas Antonio Carlos Magalhães dizia que é melhor ser triste no governo que feliz na oposição.