Alckmin vê necessidade de aumentar ritmo de obras em novo governo

Por Painel

Pé no acelerador O governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer orientar o segundo mandato para a entrega de obras. Aliados do tucano reconhecem o ritmo lento de conclusão de projetos nos últimos quatro anos e dizem que, se não houver uma guinada, o PSDB terá dificuldades eleitorais em 2018. Até o fim do ano, Alckmin só deve inaugurar uma obra importante, a hidrelétrica de Pirapora do Bom Jesus —considerada emblemática, no entanto, pelo fato de o governo federal enfrentar crise energética.

Seca Alckmin tem tido dificuldade para encontrar nomes técnicos para seu secretariado. O ex-presidente do BNDES Eleazar Carvalho Filho foi sondado para a Secretaria da Fazenda, no lugar de Andrea Calabi, mas, por ora, não demonstrou interesse.

Deixe recado Aliados do governador dizem que, depois da nova fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, gestores públicos, que antes já demonstravam receio em assinar contratos e aditivos, agora não querem nem atender telefonemas.

Após o sinal “Se toca o telefone em alguma secretaria e é alguém de construtora, a resposta é: ‘Manda dizer que eu não estou’”, ilustra um tucano paulista, sem esconder certa preocupação.

Antídoto O Palácio dos Bandeirantes estuda criar uma espécie de seguro para que os técnicos do governo que sejam citados em casos de suspeita de corrupção possam custear advogados.

Jus esperneandi O criminalista Alberto Toron se queixa de que a citação indevida do diretor da Petrobras José Carlos Cosenza não foi a primeira arbitrariedade da PF na atual fase da Lava Jato.

Vapt-vupt Walmir Pinheiro, diretor financeiro da UTC, empresa que o advogado defende, e Edinaldo Alves, “um subalterno”, segundo ele, foram presos e soltos cinco dias depois, “após constatarem que não tinham nada a ver com o caso”.

Piracema Os escritórios criminais menos renomados se movem para pegar os “peixes médios” que começam a surgir nas delações premiadas da Lava Jato e não têm dinheiro para bancar honorários das estrelas, estimados em R$ 3 milhões iniciais.

Aditivado O Ministério do Planejamento deve ter suas funções ampliadas, segundo o desenho feito por Dilma Rousseff ao convidar o economista Nelson Barbosa para assumir a pasta.

Todos por um O discurso feito por Dilma a Barbosa e Joaquim Levy, convidado para assumir a Fazenda, é que os dois ministérios, e mais o Banco Central, atuariam como um “tripé” na execução da nova política econômica, cujo mote será a retomada do crescimento e da confiança.

Lapso Os nomes de Dílson Funaro e Luís Carlos Bresser-Pereira, que foram ministros da Fazenda no governo de José Sarney (1985-1990), não aparecem na galeria de ex-ocupantes da cadeira no site oficial da pasta.

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Inflação Já Maílson da Nóbrega, que ocupou o cargo de janeiro de 1988 a abril de 1990 e hoje é reconhecido crítico da política econômica de Dilma, aparece duas vezes na relação de ex-titulares.

Reciclagem O MST espera mudanças no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra. O movimento avalia que, depois de 12 anos, a tendência Democracia Socialista, do PT, não tem mais o que oferecer na pasta.

Vai tarde A Secretaria-Geral da Presidência foi o principal canal do MST no governo Dilma. A entidade vê com bons olhos a possível ida de Miguel Rossetto para o lugar de Gilberto Carvalho.


TIROTEIO

“Hoje, minhas críticas à condução empresa parecem coisa de jardim de infância. Não podia imaginar que houvesse coisa ilícita.”

DE ILDO SAUER, ex-diretor da área de Gás da Petrobras, que deixou o posto em 2006 por divergências com a presidência da estatal e com o governo Lula.


 

CONTRAPONTO

Coisas que só em Boa Vista

Um dia depois de aprovar, em sessão tumultuada, a proposta de revisão da meta fiscal deste ano, a Comisão Mista de Orçamento teve de refazer a votação. O relator da matéria, senador Romero Jucá (PMDB-RR), tentava defender a medida:
—Não se trata de rever a meta, apenas de flexibilizá-la.
—Esta ginástica teórica só se ensina em faculdades de Roraima —rebateu Marcus Pestana (PSDB-MG).
Ofendido, Jucá respondeu ao deputado tucano:
—Pois vocês perderam em Minas, e eu garanti a vitória do Aécio em Roraima!