Comissão defenderá responsabilização criminal de agentes da ditadura

Por Painel

Torturadores na mira O relatório final da Comissão da Verdade defenderá a responsabilização criminal de agentes da ditadura militar (1964-85) acusados de torturar e matar presos políticos. A decisão foi tomada em reunião fechada, por cinco votos a um. O advogado José Paulo Cavalcanti foi o único contrário à ideia. Agora a comissão definirá se pede abertamente a revogação da Lei da Anistia, que protege os acusados de violar diretos humanos, ou se deixa a tarefa para partidos e movimentos sociais.

Saldo final A comissão deve fechar em 420 o número de mortos e desaparecidos. Todos serão reconhecidos como vítimas do regime autoritário e terão suas histórias contadas no relatório.

Não deu Uma das principais metas do grupo não pôde ser alcançada: a localização de restos mortais dos cerca de 150 desaparecidos. Só houve sucesso em um caso: o de Epaminondas Gomes de Oliveira, morto em um hospital do Exército em 1971.

Não ajudaram Integrantes da comissão reclamam que as Forças Armadas sonegaram documentos e criaram muita dificuldade para a busca das ossadas. A queixa deve entrar no relatório final.

Só faltava essa Entre as centenas de sugestões que o órgão recebeu de entidades civis, duas propunham a criação de conselhos para controlar a mídia. A ideia foi rechaçada pelos comissários. A censura à imprensa foi uma marca da ditadura.

Menos um Recém-aposentado do Superior Tribunal de Justiça, o ministro Gilson Dipp não assinará o relatório. Ele ainda é um dos sete integrantes da comissão, mas se afastou por motivo de saúde em abril de 2013 e não voltou.

Caixa de Pandora Um ministro que conhece o Congresso como a palma da mão aposta que a disputa pela presidência da Câmara ficará em suspenso até que se conheçam todos os políticos investigados no caso da Petrobras.

Vem bomba O auxiliar de Dilma Rousseff diz que a revelação dos parlamentares que receberam do doleiro Alberto Youssef forçará um rearranjo na Câmara e no Senado. “A eleição começa quando a lista vier à tona. Será avassaladora”, prevê.

Chegou atrasado Horas depois de uma comissão especial do Senado aprovar medida provisória que muda a carreira da Polícia Federal, na quinta, o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) telefonou para os senadores da base orientando-os a não votar o projeto.

Volta às aulas Avisado de que a votação já havia acabado, Berzoini se surpreendeu. Achava que o texto só entraria na pauta na próxima semana. Senadores viram novo sinal de que o Planalto perdeu o pulso do Congresso.

Volta, Lula Nas primeiras reuniões depois da vitória de Dilma, parlamentares do PT desabafaram: as bancadas do partido passaram os últimos quatro anos afastadas do Planalto.

Alves

‌Jardineira Enquanto corria a campanha, em outubro, a Presidência assinou contrato de “irrigação automatizada” do gramado do Palácio da Alvorada. Vai custar R$ 259 mil em cinco meses.

Usucapião Petistas tentam sufocar a candidatura de Milton Leite (DEM) à presidência da Câmara Municipal de São Paulo. Ele é símbolo do chamado “centrão”, que se arrasta da esquerda à direita conforme o prefeito da vez.

Cartas na mesa No PT, Arselino Tatto e Paulo Fiorilo disputam o apoio de Fernando Haddad. Os dois querem a cadeira do atual presidente, José Américo Dias, que se elegeu deputado estadual.


TIROTEIO

“Não sustentamos que houve fraude. Só não vamos abrir mão de representar a parcela da população que quis tirar o PT do governo.”

DE ALBERTO GOLDMAN, vice-presidente do PSDB, sobre o pedido de auditoria das urnas eletrônicas, que teve como base reclamações de eleitores na internet.


CONTRAPONTO

O biscoito do deputado

Ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Felix Fischer passou boa parte de sua gestão tentando aprovar uma emenda constitucional para barrar os processos repetitivos. O deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), dono de uma fábrica de biscoitos, relatou o texto na Câmara.

Um dia, o parlamentar foi a uma reunião no STJ carregado de guloseimas. Enquanto Fischer discursava, um deputado gaiato ergueu um biscoito e pediu aparte:

—Nobre deputado Sandro Mabel, sinto informá-lo e aos presentes, mas sua rosquinha está queimada.

A reunião teve que ser interrompida.