Alckmin e Pezão ensaiam nova disputa por água do Paraíba do Sul

Por Painel

Águas da discórdia O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, não quer nem ouvir falar na ideia de desviar para o sistema Cantareira águas da bacia do rio Paraíba do Sul. O governador paulista, Geraldo Alckmin, voltou a defender o uso do rio Jaguari para atenuar a crise hídrica no Estado. “É claro que isso nos preocupa. O que prejudica o Paraíba prejudica o Rio”, reage Pezão. O peemedebista ameaça levar a disputa a Brasília. “São Paulo não pode tomar decisões unilaterais. Ele sabe disso”, afirma.

Já vi este filme O conflito pela bacia do Paraíba estava represado há sete meses. Em março, quando Alckmin lançou a ideia de desviar água do Jaguari, o então governador do Rio, Sérgio Cabral, foi ao Planalto e ameaçou recorrer à Justiça. Os dois bateram boca, e o tucano recuou.

Solução divina Pezão tem conversado com a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e sustenta que qualquer disputa sobre a bacia hidrográfica deve ser arbitrada pelo governo federal. Contemporizador, ele diz torcer por uma providência dos céus: “Espero que chova logo para essa briga acabar”.

Vida dura Antes de viajar para a Bahia, Dilma Rousseff fez um afago aos presidentes de PR e PP. Ela aposta nos dirigentes dos partidos aliados para tentar abortar novas rebeliões no Congresso, como a articulada nesta semana pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ).

No rebote A oposição quer pegar carona na insurreição peemedebista. PSDB, DEM e outras siglas tentam incluir na pauta da Câmara mais projetos que criem dor de cabeça ao governo.

Contra-ataque A cúpula do PT se reúne em Brasília na segunda-feira para discutir a disputa pela presidência da Câmara. Dirigentes da sigla, que tem a maior bancada da Casa, estão em polvorosa com a atuação de Cunha. A ordem é tentar evitar que ele chegue ao cargo.

Resumo da ópera De Roberto Amaral, ex-ministro de Lula e ex-presidente do PSB, sobre a primeira derrota de Dilma no Congresso após a reeleição: “É uma mistura de represália e chantagem do PMDB. Estão mostrando as garras para o segundo mandato”.

De volta à cena O PSDB reúne dirigentes, senadores, deputados e governadores eleitos na quarta-feira, no Congresso. Não haverá discussão profunda: a ideia é criar um fato político para a reaparição do senador Aécio Neves, que deixou a ribalta após a derrota nas urnas.

Mais um Dirigentes dos oposicionistas DEM e Solidariedade se reuniram ontem de manhã para discutir uma fusão. Os dois partidos dizem que a conversa é para valer e que a união pode sair até o fim deste ano.
apode3110painel
Maromba O Planalto fará pregão no início de novembro para comprar oito aparelhos de ginástica para os seguranças de Dilma e do vice Michel Temer. O edital estima o preço dos equipamentos em R$ 100 mil.

De G-10 a G-12 O grupo das dez menores siglas da Câmara, que reúnem 24 deputados, tenta acrescentar dois partidos médios ao clube para ampliar seu poder de barganha com o governo. Estão na mira PRB e Pros. Juntas, as 12 legendas somariam 56 deputados e formariam a terceira maior bancada da Casa.

Fica comigo O presidente do PHS, Eduardo Machado, diz não temer a fuga dos cinco deputados da sigla para o novo PL, a ser registrado por Gilberto Kassab. “É melhor ser cabeça de lambari do que rabo de baleia”, diz o nanico. “Quem é nosso deputado não vai sair para ser só mais um em outro lugar”.


TIROTEIO

“A ‘ordem superior’ que impediu o alerta da Sabesp sobre falta d’água veio de Deus ou de Alckmin. Quem terá sido o responsável?”

DO VEREADOR NELO RODOLFO (PMDB), sobre pedido da Câmara Municipal de São Paulo para que a presidente da Sabesp diga quem interferiu na empresa.


CONTRAPONTO

Vovô do Procon

Eleito com 1,5 milhão de votos, o futuro deputado Celso Russomanno (PRB-SP) vai ser avô um mês depois de assumir o mandato em Brasília. Sua filha Luara, 26, espera o neto Bernardo para março. O apresentador da “Patrulha do Consumidor” não fala em outra coisa.

—Passei a vida inteira defendendo o direito do consumidor. Já estava na hora de também cobrar o meu direito de ser avô —brinca.
A caçula do deputado, Catherine, será tia aos 2 anos.
—Entrei para um clã. Agora só vou falar com quem também for avô —avisa Russomanno.