Após reeleição, Dilma quer dar sinais rápidos para acalmar mercado

Por Painel

Bandeira branca Preocupado com a instabilidade do mercado durante a campanha, o governo quer emitir sinais rápidos para tranquilizar a Bolsa e o setor produtivo. O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), porta-voz da área econômica, diz que a presidente Dilma Rousseff vai reforçar o compromisso com a responsabilidade fiscal e o combate à inflação antes da nova posse. No governo, há consenso de que é preciso reabrir o diálogo e deixar para trás as manobras fiscais do primeiro mandato.

Muita calma Dilma quer descansar alguns dias antes de anunciar o que todos querem saber: quem substituirá Guido Mantega na Fazenda.

Sem ressaca O comando da campanha diz não temer uma disparada do dólar ou novas quedas da Bolsa. “A eleição acabou. Agora o ambiente especulativo se encerra. Vamos voltar à normalidade”, promete Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário).

Pedra no sapato Dilma foi aconselhada a apresentar uma alternativa a Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara. “Com ele lá, ela não governa”, diz o presidente de uma sigla aliada.

Só faltava essa Os petistas entraram em pânico ontem com o boato de que o doleiro Alberto Youssef teria morrido. José Eduardo Cardozo (Justiça) cobrou um desmentido da Polícia Federal.

É tetra! Reunidos no Palácio da Alvorada com Dilma, dirigentes da campanha pularam das cadeiras quando os primeiros números da apuração surgiram na TV. “Foi igual a um gol”, conta um ministro.

Espera o apito A presidente censurou a comemoração antecipada. “Ainda não acabou”, disse, lembrando que cerca de 6 milhões de votos ainda seriam contados.

Teste pra cardíaco Antes do resultado, Dilma provocou o cardiologista Roberto Kalil, que estava nervoso: “Kalil, eu vou ter que chamar um médico para você…”

Foi dramático Aécio Neves (PSDB) liderou a maior parte da apuração, mantida sob sigilo até as 20h por causa das urnas abertas no Acre e no oeste do Amazonas. A presidente só o ultrapassou quando cerca de 80% dos votos já estavam totalizados.

Mea culpa O presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, admite que o Estado foi responsável pela derrota de Aécio: “Minas não quis ter um presidente mineiro. Perdemos em casa. Perdemos a eleição em Minas”, lamenta.

A fila anda Aliados de Geraldo Alckmin já tratam o governador reeleito de São Paulo como candidato “incontornável” em 2018.“Aécio terá que recuperar o governo de Minas para ajudar o PSDB a voltar à Presidência”, empolga-se um tucano paulista.

Não é assim O grupo de Aécio lembra que ele sai das urnas com a maior votação de um oposicionista. Além disso, terá a presidência do partido e a tribuna do Senado para se manter em evidência.

Bom combate À noite, amigos do senador exaltavam sua capacidade de superação. Além de ter se mantido de pé quando estava em terceiro lugar, ele enfrentou a doença de uma irmã e o nascimento de dois filhos prematuros com a campanha na rua.

Caminho da roça O senador avisou que vai “sumir” nos próximos dias. Aliados apostam que ele vai descansar com a família na famosa fazenda de Cláudio (MG), onde recebeu 81% dos votos.

Adolar

Motivo para sorrir Depois de votar, Alckmin tomou café com aliados em uma padaria na zona sul de São Paulo. Começou a chover, e os tucanos festejaram junto com funcionários e clientes.


TIROTEIO

A oposição se fortaleceu. Espero que Dilma seja responsável e não dê continuidade ao discurso do ódio e da divisão dos brasileiros.

DO PRESIDENTE DO PPS, ROBERTO FREIRE, sobre a agressividade da campanha e o fim da eleição presidencial mais disputada desde a redemocratização.


CONTRAPONTO

Sinais invertidos

Depois do último debate presidencial na Globo, no Rio, o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e sua comitiva pararam em um bar perto da Linha Amarela.

Animados com a boa recepção ao paulista no Estado vizinho, aliados do tucano se entusiasmaram ainda mais quando o ex-governador Alberto Goldman, que foi filiado ao PCB, foi reconhecido por um antigo militante da sigla.

—Só pode ter sido um bom sinal para domingo! —brincou o deputado paulista Edson Aparecido, em referência à possibilidade de vitória de Aécio Neves.

A coincidência, como se viu, não deu a sorte esperada.