Campanha de Aécio culpa a falta d’água em SP pela alta de Dilma

Por Painel

Torneira fechada A cúpula da campanha de Aécio Neves culpa a falta d’água em São Paulo pela recuperação de Dilma Rousseff na reta final da eleição. A crise, explorada pela propaganda petista, seria o principal motivo da redução da vantagem do tucano no Sudeste. Os aecistas temem que o problema no abastecimento continue a drenar votos até domingo. O governador Geraldo Alckmin se reelegeu no primeiro turno, quando a situação ainda não afetava as famílias paulistas na proporção atual.

Feito de Teflon Aecistas acham que a imagem pessoal de Alckmin contribuiu para blindá-lo. “Ele está no governo há anos e tem uma respeitabilidade com os paulistas que Aécio ainda não conquistou”, arrisca o ex-governador Alberto Goldman (PSDB).

Novos tempos Até o agravamento da crise hídrica, o núcleo próximo ao presidenciável era só elogios ao empenho do governador paulista na campanha do mineiro.

Cabeça quente O clima no tucanato é de revolta com o uso da falta d’água na propaganda do PT. “Dilma merece a medalha da sacanagem. Fazendo o que faz, vai perder a legitimidade se for reeleita”, esbraveja Goldman.

Guerra de lama O presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu, também entrou na mira após dizer que a Sabesp terá que buscar água no lodo. “De lodo ele entende. Foi ele que levou o PT de Campinas para o ralo”, ataca o deputado estadual Cauê Macris (PSDB).

Surfando a onda Os petistas festejam. “Aécio disse que a população voltou a fazer filas nos supermercados por causa da inflação. Em São Paulo, o que o povo precisa estocar é água”, diz o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
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Boca de urna O PSDB produziu 600 milhões de “colinhas” com a foto e o número do tucano para distribuir até domingo. A conta é de quatro papeizinhos por eleitor.

A melhor defesa A coordenação de campanha de Dilma decidiu retomar os ataques a Aécio por temer que o debate sobre a corrupção crie uma onda a favor do tucano.

Mesmo saco Dilmistas dizem que as ofensivas dos últimos dias “colaram” no rival defeitos que os eleitores associam ao PT. As armas foram o aeroporto de Cláudio e a contratação de parentes no governo de Minas Gerais.

Volume morto O comitê petista acredita que os cerca de 10% de eleitores sem candidato definido oferecem pouca margem para convencimento. Eles se afastam de Dilma pela associação do PT com a corrupção e temem Aécio pelo suposto risco de perder conquistas sociais.

Pão de queijo Dilma encurtou sua agenda hoje no Rio para ir a Uberaba (MG) pela manhã. Os petistas sentiram o crescimento do Aécio em Minas nos últimos dias e dizem que vencer no Estado é uma “questão de honra”.

Gutenbergianos As centrais dilmistas CUT e CTB distribuíram 1 milhão de jornais acusando Aécio de ser “contra o Rio” e “inimigo do povo”. Dizem que ele quer “tirar direitos do trabalhador”.

Quem, eu? Não há nos panfletos qualquer menção ao PT ou à candidatura de Dilma. O nome das centrais aparece em letras miúdas. O PSDB acionou a Justiça Eleitoral, mas já contabiliza o prejuízo à imagem do candidato.

Olho na toga Petistas que foram ao ato de apoio a Dilma na segunda-feira, em SP, notaram a presença de três candidatos ao Supremo Tribunal Federal: o tributarista Heleno Torres, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e o desembargador Marco Antonio Marques da Silva.


TIROTEIO

“O Cantareira não secou da noite para o dia. Faltou planejamento, e o anúncio da crise foi adiado por causa do momento eleitoral.”

DE JAQUES WAGNER (PT), governador da Bahia e integrante do comitê de Dilma Rousseff, sobre a crise de abastecimento de água em São Paulo.


CONTRAPONTO

À espera da pesquisa da urna

Tucanos se alarmaram com a pesquisa Datafolha divulgada anteontem, que pela primeira vez mostrou Aécio Neves numericamente atrás de Dilma Rousseff. Para amenizar o baque, sustentavam que cinco dias são uma “eternidade” em eleições —para o bem e para o mal.
Um deputado do PSDB lembrou a eleição paulista de 1998, quando o governador Mario Covas começou a receber cumprimentos pelo telefone na quinta-feira anterior ao pleito. As pesquisas já indicavam sua virada sobre Paulo Maluf, mas o tucano recusou todos os parabéns.

—É muito cedo, é muito cedo… —repetia.