Aliados de Marina dizem que ataques de Aécio ajudaram Dilma

Por Bruno Boghossian

Pote de mágoa Aliados de Marina Silva (PSB) estão magoados com Aécio Neves (PSDB), que elegeu a ex-senadora como seu principal alvo nas últimas semanas. Os marineiros dizem que os ataques do tucano beneficiaram Dilma Rousseff (PT), que se isolou na liderança. “Aécio se recusou a fazer oposição. Em vez de criticar o PT, preferiu se dedicar à disputa com Marina”, reclama o coordenador Walter Feldman. A ex-senadora ficou muito irritada com a ofensiva tucana para ligá-la ao mensalão.

Gangorra Desde o início de setembro, quando o PSDB acionou a artilharia contra Marina, a candidata do PSB perdeu sete pontos no Datafolha. Dilma ganhou cinco. Aécio subiu outros quatro, que não foram suficientes para tirá-lo do terceiro lugar.

Âncora O mau desempenho no Nordeste, onde segue empacado com 8% das intenções de voto, atrapalha a recuperação do presidenciável tucano. Ele subiu ou oscilou positivamente nas outras quatro regiões do país.

Pacote vazio O PT contesta a tese de que Marina decolará quando tiver o mesmo tempo que Dilma na televisão. Desde 2006, a ex-senadora será a primeira candidata a chegar ao segundo turno sem obras para mostrar. “A situação dela pode até piorar”, provoca um dilmista.

Oito e oitenta Hoje o PSB tem cerca de 12 minutos semanais de horário eleitoral, somando os blocos da tarde e da noite. No segundo turno, passará a ter 120: dois blocos de dez minutos por dia, seis vezes por semana.

Volume morto Os petistas apostam que o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) não fará grande esforço por Marina em um segundo turno contra Dilma. O tucano já é visto como candidato de oposição ao PT em 2018.

Ora por mim O vice Michel Temer (PMDB) tem conversado com Pastor Everaldo (PSC) em busca de apoio a Dilma no segundo turno. O partido do evangélico espera um convite para participar do governo se ela for reeleita.

Rebanho partido O pastor se irritou com Marina depois de vê-la receber a adesão de líderes da Assembleia de Deus que já estavam comprometidos a apoiá-lo.

A voz decisiva Uma ligação de Renata Campos para Carlos Siqueira, o primeiro-secretário do PSB, selou o adiamento da votação que escolherá a nova cúpula do partido. A contragosto, o presidente Roberto Amaral foi convencido a abortar a reunião marcada para amanhã.

O escolhido Apoiado pela viúva de Eduardo Campos, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, deverá ser o novo primeiro vice-presidente da sigla. Amaral será reconduzido à presidência nacional, mas terá que dividir poderes.

Sozinho na pista Com apenas 9% no Datafolha a uma semana da eleição, o candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, sofre as dores do abandono. Nenhum ministro, deputado ou prefeito do partido foi à TV Record acompanhá-lo no debate da última sexta.

O filho fala Enquanto o candidato do PMDB foge de Dilma, o herdeiro Paulo Skaf Filho declara voto em Marina para presidente. “Sou a favor da alternância de poder. Ela está disposta a mudar a política e não há nada que a desabone, eticamente falando”, diz o empresário, de 34 anos.

Liga o GPS Duas semanas antes da revista no avião de Lobão Filho, outro incidente irritou o PMDB do Maranhão. Um caminhão enviado pelo PT deixou encomenda trocada no comitê do partido. Dentro dos pacotes, havia panfletos com fotos de Dilma e de Flávio Dino (PC do B).


TIROTEIO

“Marina ainda vai derreter mais no Nordeste. Se ela não tomar cuidado nesta última semana, ainda pode ficar fora do 2º turno.”

DE FRANCISCO ROCHA, O ROCHINHA, coordenador da ala majoritária do PT, sobre a queda da presidenciável Marina Silva (PSB) nas últimas pesquisas.


CONTRAPONTO

O triste divórcio de Collor e Levy

No ostracismo político desde o impeachment, o ex-presidente Fernando Collor recorreu ao nanico PRTB para se eleger senador em 2006. A poucos dias da posse, comunicou ao dono da legenda, Levy Fidelix, que migraria para o PTB. O candidato do aerotrem se irritou:

-Escuta aqui, meu amigo, você não é o Ayrton Senna? Então merece correr em um autódromo de verdade. O que eu tenho é só um autorama.

Oito anos depois, Fidelix ainda esbraveja:

-Ele agora está lá com o presidiário Roberto Jefferson. Na hora de se eleger, o meu partido era grande…