PT agora quer atacar Marina por oposição ao uso de transgênicos

Por Painel

Te quero verde A campanha de Dilma Rousseff prepara nova ofensiva contra Marina Silva. Desta vez, a arma será o que a candidata do PSB já disse sobre o uso de transgênicos na agricultura. Os petistas identificaram que a ex-ministra do Meio Ambiente ainda pode perder votos nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde a produção rural é mais forte. O marketing do PT pretende usar um discurso de 2002 no Senado em que Marina citou a Bíblia ao criticar o plantio de sementes geneticamente modificadas.

Escrituras Da tribuna, a candidata do PSB afirmou que o livro Levíticos 22:9 “expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie”.

Embalagem Os petistas querem passar a ideia de que Marina abrandou o discurso para se tornar uma candidata mais palatável, mas voltará a defender posições inflexíveis se chegar ao Planalto.

Olho na cerca No comitê de Dilma, a estratégia é considerada ainda mais promissora para um possível segundo turno com a ambientalista. O PT conta com a adesão de líderes ruralistas que hoje apoiam Aécio Neves (PSDB).

Cabo de guerra A presidente também enfrentou problemas na discussão de seu programa de governo para a agricultura. Houve embates entre os defensores do modelo familiar, alinhados ao PT, e os entusiastas do agronegócio, ligados ao PMDB.

Foice x trator Os petistas queriam incentivos à reforma agrária e mais benefícios aos pequenos lavradores. Os ruralistas defendiam mais atenção à produção em larga escala. A divergência foi uma das que empacaram a divulgação do programa petista.

Muy amiga A ordem para esconder placas com a foto de Geraldo Alckmin irritou aliados do tucano que acompanhavam Marina ontem em São Bernardo do Campo (SP). Alckmistas se referiam à presidenciável como “arrogante”, entre outros termos.

Negócios à parte O deputado estadual Alex Manente (PPS), que produziu material com Marina e Alckmin, avisa que continuará a usar as peças: “Alckmin foi, é e será meu candidato. Todo material meu terá o nome dele”.

Luz amarela Conselheiro de Marina, João Paulo Capobianco admite que a queda da ex-senadora no Datafolha coloca a campanha “em alerta”. Ele diz, no entanto, que não é preciso fazer uma “revolução” na estratégia geral.

Cola nele A campanha de Dilma tentará desgastar Aécio em Minas com a suspeita de envolvimento do ex-senador Clésio Andrade (PMDB) em desvios no Sest/Senat. Ele foi vice do tucano entre 2003 e 2006 no governo do Estado.

Nada com isso O candidato a vice-presidente Aloysio Nunes (PSDB) rechaça os planos para ligar Andrade ao seu companheiro de chapa. “O que o Aécio tem que ver com a gestão do Sest? Isso não é problema dele”, afirma o senador tucano.

Toma que é teu Para Aloysio, o PT não terá sucesso e Aécio continuará a crescer em Minas. “Qual é o partido atual do Clésio Andrade? É o PMDB, que apoia a Dilma”, diz o vice.

Eu que fiz O ex-prefeito Paulo Maluf não engole a ideia de demolir o Minhocão, elevado que rasga o centro de São Paulo. “Isso é terrorismo. Por que não fecham por 15 dias, para ver o que acontece com o trânsito?”, provoca.

Adolar

Bom garoto Apesar de o novo Plano Diretor prever a desativação do elevado, o deputado é todo elogios ao prefeito Fernando Haddad (PT). “Ele é muito correto. Vamos apoiá-lo de novo em 2016”.


TIROTEIO

O IBGE ‘marinou’: disse que a desigualdade aumentou, depois mudou de ideia. No fim, só mais uma amostra da incompetência petista.

DO DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP), presidente estadual da sigla, sobre a correção nos dados do governo federal sobre a desigualdade no país.


CONTRAPONTO

O casamento do doutor Ulysses

Fiel escudeiro de Ulysses Guimarães por 44 anos, o secretário Oswaldo Manicardi às vezes era escalado para tarefas inusitadas. Um dia, ouviu pedido para recolher os papéis de dona Mora, então viúva do primeiro marido.

—Preciso dos seus documentos —anunciou o assessor.

—Por quê? —quis saber dona Mora, intrigada.

—Porque o doutor Ulysses vai casar com a senhora.

Espantada, ela aceitou, conta o jornalista Jorge Bastos Moreno no livro “A História de Mora”. O casal foi inseparável até o trágico acidente de helicóptero em Angra dos Reis, em 1992. Manicardi morreu no mês passado.