Empresários questionam como Marina vai fazer para gastar menos e investir mais no social

Por Painel

As dúvidas do PIB Aliados de Marina Silva têm ouvido três perguntas repetidas a cada reunião com empresários e investidores. Na área econômica, os executivos querem saber como a candidata do PSB vai conciliar as promessas de gastar menos e investir mais no social. Na política, têm dúvidas sobre a governabilidade, já que a aliança da ex-senadora deve eleger menos de 10% dos deputados. Por fim, os representantes do PIB perguntam se a presidenciável vai travar a concessão de licenças ambientais.

Ponta da língua Os marineiros ensaiaram bem as respostas. Na economia, dizem que a eficiência no gasto e a redução do juro vai ajudar a investir no social. Na política, prometem “novo modelo de governabilidade” e regras claras de licenciamento.

A fila anda Ontem a turma de Marina visitou exportadores de grãos. Até o fim da semana, escutará engenheiros e incorporadores de imóveis. Na semana passada, foi a vez do setor de petróleo e gás.

Te quero bem Dias depois de prever o encolhimento do PSDB, o ex-tucano Walter Feldman afagou ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Como diria FHC, o Estado brasileiro está cupinizado”, disse o coordenador do comitê de Marina.

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Leitura dinâmica Fernando Meirelles, o cineasta amigo da ex-senadora, confessou ontem que não leu todo o programa de governo do PSB. “Pulei um pouco. O texto é muito longo”, justificou-se.

Curta-metragem O comitê de Aécio Neves (PSDB) começou a fatiar suas inserções em rádio e TV. Daqui para frente, cada peça de 30 segundos será substituída por duas de 15. O candidato continuará a ligar Marina ao PT.

Sai pra lá Tucanos não gostaram de ver Lula chamando Aécio de “companheiro”. “Tancredo dizia que a esperteza, quando é demais, engole o esperto”, diz o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG).

Ajuda que eu ajudo Em reunião ontem com empresários, Guido Mantega disse que a indústria precisa defender os incentivos do governo, criticados pela equipe econômica de Marina. “É importante que vocês deixem bem claro o que vocês querem”, cobrou o ministro da Fazenda.

Sem desmame Apesar da resistência do PIB a Dilma, Mantega disse ver sintonia entre o empresariado e o governo. “Estamos juntos. Temos mais convergências que divergências”, afirmou.

E as propostas? Manchete de ontem no site Muda Mais, da campanha do PT: “Dilma Rousseff tá arrasando no passinho e no break”.

Lente da verdade O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) promete apertar Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que vai hoje à CPI. Perguntará o que ele disse de Eduardo Campos, antigo aliado, na delação premiada.

Abre-te Sésamo Apesar do pacto de sigilo com a Justiça, o parlamentar diz que Costa tem a obrigação de falar. “Se ele ficar em silêncio, vai jogar suspeita sobre tudo o que disse na delação”.

Quem manda O ex-governador Joaquim Roriz deu a palavra final na reunião que selou a desistência de José Roberto Arruda (PR) na eleição do Distrito Federal. Roriz disse que não adiantava lutar e que o aliado seria cassado por causa da ficha-suja.

Visita à Folha O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-geral da Presidência, e Débora Santos, secretária de Comunicação.


TIROTEIO

“Dilma diz que acha escandaloso acabar com gastos públicos, mas não vê problemas no aparelhamento que acaba com a Petrobras.”

DO SENADOR JOSÉ AGRIPINO (DEM-RN), coordenador da campanha de Aécio Neves (PSDB), sobre as críticas da petista à promessa de extinguir ministérios.


CONTRAPONTO

Quem não chora não mama

Em reunião com empresários na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Guido Mantega ironizou ontem as ideias do economista Eduardo Giannetti.
O conselheiro de Marina Silva tem repetido que é preciso “desmamar” o setor —ou seja, reduzir aos poucos os incentivos do governo federal.
O ministro da Fazenda brincou com Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional:

—Agora você vai ser desmamado!
—Então eu vou começar a chorar agora mesmo… —retrucou o industrial, arrancando risos dos colegas.