PMDB esconde Sarney da campanha de Lobão Filho

Por Painel

O outono do patriarca O PMDB escondeu o ex-presidente José Sarney da campanha de Lobão Filho ao governo do Maranhão. Nas primeiras quatro semanas de horário eleitoral, o senador não apareceu nenhuma vez para pedir votos. A governadora Roseana Sarney, que enfrenta forte rejeição, também foi afastada da propaganda. O marqueteiro Elsinho Mouco culpa o rival Flávio Dino (PC do B) pela estratégia. “Ele veio agredindo, e tive que ir para a emoção. Lobão Filho deixou claro que é do grupo”.

Troca de guarda “Um ciclo se encerra com a aposentadoria do presidente Sarney e a saída de Roseana. Agora começa a renovação”, diz o marqueteiro de Lobão Filho. Desgastados, pai e filha desistiram de concorrer ao Senado.

Nem o pai O ministro Edison Lobão (Minas e Energia), que saiu de férias na segunda-feira passada, sumiu da campanha. Na semana passada, o delator Paulo Roberto Costa o incluiu na lista de políticos que, segundo ele, desviavam verba da Petrobras.

Guerra Fria Atacado pelos Sarney por ser filiado a um partido que tem o comunismo no nome, Dino provocou os rivais em debate com empresários nesta semana: “O que precisamos é instaurar o capitalismo no Maranhão”.

Quem indica O diretor administrativo e financeiro da Eletronuclear, Edno Negrini, passou a quarta-feira em Brasília. Percorreu gabinetes no Congresso em busca de apoio para ficar no cargo.

Os de sempre Descrito como afilhado do ministro Lobão, Negrini bateu na porta do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também procurou outros senadores, como Delcídio Amaral (PT-MS). O mandato do diretor acaba no próximo dia 3.

Libera, ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, promete levar a votação até o fim do ano uma ação que pede a mudança do indicador que atualiza os valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Contra o dragão O partido Solidariedade defende que o FGTS passe a ser corrigido pelo IPCA para evitar perdas com a inflação. Hoje o indicador adotado é a TR (Taxa Referencial), que também baliza a caderneta de poupança.

Olha eu aqui O giro pelo Nordeste que Marina Silva (PSB) faz neste fim de semana foi marcado como uma “precaução” para o segundo turno. Os marineiros temem que Dilma Rousseff (PT) abra vantagem grande demais na região e arrase a ex-senadora no duelo final.

Diplomata Marina fará almoço no fim do mês com correspondentes de veículos internacionais de imprensa sediados no Brasil.

Fecha… O plano de banda larga da campanha de Dilma prevê que o governo pague parte da construção das redes de fibra ótica e rádio em 90% do país. As empresas receberão subsídios para criar o sistema nas áreas de menor desenvolvimento econômico.

… a conta O programa prevê leilões públicos. Vence a empresa que aceitar construir as redes com o menor subsídio. Se o governo bancasse todo o sistema com recursos próprios, gastaria mais de R$ 80 bilhões.

É que eu esqueci Discreto no debate entre Dilma e Marina sobre o uso do pré-sal, Aécio Neves (PSDB) não cita a reserva nenhuma vez nas 76 páginas de propostas que entregou à Justiça Eleitoral.

‌Taça na raça Os candidatos a deputado pelo PT em São Paulo aparecem na propaganda do partido imitando os jogadores na apresentação das seleções durante a Copa do Mundo: viram para a câmera e cruzam os braços.


TIROTEIO

      “Se o Kassab não sabe o que eu fiz em 24 anos, pode procurar ler as listas de senadores mais influentes do Diap e do Congresso em Foco.”

DO SENADOR EDUARDO SUPLICY (PT-SP), candidato à reeleição, sobre as críticas que recebeu na propaganda do adversário Gilberto Kassab (PSD).


CONTRAPONTO

Quem avisa amigo é

A birra de ex-presidentes com a imprensa não é novidade no Brasil. Após a queda do Estado Novo, em 1945, Getúlio Vargas se refugiou em São Borja (RS), onde repelia o assédio de jornalistas. Apesar da resistência, muitos repórteres viajavam do Rio para tentar uma entrevista.
Após um editorial ácido do “Diário da Noite”, o ex-ditador ordenou que os estranhos passassem a ser barrados na porteira. No terceiro volume de “Getúlio”, o biógrafo Lira Neto conta que ele passou a repetir uma frase em tom de ironia a cada avião que pousava na estância:

—Se for jornalista que vem aí, mando enforcar.