Temendo represálias, MPF estuda pedir transferência de Costa

Por Painel

Cabeça a prêmio O Ministério Público Federal já estuda pedir novamente a transferência de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que abriu o jogo sobre a corrupção na Petrobras. Há temor de represálias por ele ter relatado repasses de propina a dezenas de políticos aliados ao governo Dilma Rousseff. A ideia é mandar o delator para o presídio federal de Catanduvas (PR). Se contar tudo o que sabe e for libertado ao fim dos depoimentos, Costa deverá contar com proteção policial em casa.

Repeteco Em maio, a Justiça Federal negou pedido semelhante e manteve o delator em Curitiba. Agora a Procuradoria acredita ter elementos mais fortes para insistir na transferência.

Deixa eu ler É forte a pressão do governo para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, liberar cópia da delação. No fim de semana, o Ministério da Justiça esbarrou na resistência da Polícia Federal do Paraná, que segurou os papéis.

Tela quente Apesar de repetirem o discurso de que não há provas das acusações, os petistas estão preocupados com o impacto da cobertura dos telejornais, especialmente o “Jornal Nacional”.

Ai de mim No ofício que enviou à Justiça para pedir acesso às acusações, a Petrobras afirma estar em “condição de vítima” e diz que pretende apurar “condutas e transações irregulares” de dirigentes e funcionários.

Mais medo Dilma vai ampliar o “discurso do medo” contra Marina Silva (PSB) na TV. O comitê já produziu, testou e aprovou novos comerciais dizendo ao eleitor que as propostas da ex-senadora reduzem benefícios e comprometem a renda.

Em série O modelo das peças é a propaganda de ontem que acusou a ex-senadora de querer entregar o país aos banqueiros ao propor a independência do Banco Central.

Ora por mim Depois de mirar propostas de Marina para o pré-sal e o BC, Dilma tentará desconstruir sua imagem com evangélicos. Um integrante da campanha já se reuniu com o bispo Manoel Ferreira, da Assembleia de Deus. Ele é suplente de Geraldo Magela (PT), candidato a senador no Distrito Federal.

Nos tribunais Os advogados de Marina voltaram a pedir direito de resposta no programa de Dilma. O motivo são as críticas da petista à proposta de autonomia do BC.

Azarado Caetano Veloso, que apareceu ontem na propaganda de Marina, não tem dado sorte aos candidatos que apoia. Já pediu votos para Marcelo Freixo (2012), Fernando Gabeira (2010 e 2008) e para a própria Marina (2010). Ninguém se elegeu.

Quer tc? Fernando Henrique Cardoso participa na semana que vem de um bate-papo com internautas no site de Aécio Neves (PSDB).

apode1009painel

Orgânico Empenhado em pregar hábitos ecologicamente corretos, Eduardo Jorge (PV) mostrou o minhocário que mantém em casa. Enquanto ele falava, moscas sobrevoavam o ambiente.

Mal me quer Até a noite de ontem, o ex-ministro Joaquim Barbosa não havia confirmado presença na posse do novo presidente do STF, e Ricardo Lewandowski.

Escreveu, não leu Condenado no mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) não reduzirá sua pena por publicar resenhas de livros em seu blog. Ontem foi a vez de “Fim”, de Fernanda Torres.

O pau comeu Em alguns Estados, quem lê na cadeia ganha o benefício. “No caso dele, é só para amenizar a angústia do cárcere”, diz seu advogado, Brian Prado.


TIROTEIO

“Na ânsia por se promover eleitoralmente no caso da Petrobras, Marina põe até em Eduardo Campos a pecha de quadrilheiro.”

DE MIGUEL ROSSETTO, do comitê de Dilma Rousseff (PT), sobre ataque de Marina Silva a petistas. Eduardo Campos também foi citado no escândalo.


CONTRAPONTO

O trote do governador

Geraldo Alckmin reuniu aliados e jornalistas para comer pastel depois de evento de campanha no Mercado da Lapa, anteontem. Como de costume, relatou episódios de seu governo. Contou que, em sua primeira passagem pelo Palácio dos Bandeirantes, tinha por hábito acionar prefeitos no domingo à noite. Como sua secretária não trabalhava no fim se semana, ele mesmo fazia as ligações:

—Alô, prefeito? Aqui é o governador… —disse o tucano em uma das chamadas.
—Governador? Então aqui quem fala é o George Bush! —rebateu o aliado incrédulo, desligando o telefone.