Vice de Aécio acusa Marina de dizer ‘asneiras’ e usar ‘identidade postiça’

Por Painel

O PSDB vai ao ataque Vice na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) abre a artilharia contra Marina Silva. Ele acusa a rival de usar uma “identidade postiça” para ganhar votos. “Ela improvisou uma personalidade palatável para esconder a imagem de sectarismo que sempre a caracterizou.” O tucano ironiza o discurso da “nova política”. “Marina demoniza Sarney, Renan e Collor. Os três apoiaram o governo Lula, do qual ela foi ministra. Eles prestavam e agora não prestam?”, questiona.

Trator O vice de Aécio ironiza os esforços da adversária para se aproximar do agronegócio. “É mais uma conversão de última hora. Marina comandou uma luta sem quartel contra o Código Florestal. A proposta dela inviabilizaria metade das terras agricultáveis do país.”

Arado Aloysio acusa a rival de dizer “bobagens” sobre os transgênicos. “O que ela defende é uma asneira. Ela quer que em algumas áreas se possa plantar, e em outras, não. Então alguns brasileiros podem comer sementes que fazem mal à saúde, segundo a visão dela, e outros não?”

Ideias O tucano levanta dúvidas sobre a pregação de Marina contra a polarização entre PT e PSDB. “Ela integrou por 20 anos um partido sectário e rancoroso, que manteve uma guerra sem trégua com o PSDB”, acusa.

Hare Rama O senador ainda ironiza as novas companhias da presidenciável no PSB. “O Heráclito Fortes não é nenhum fanático pela propriedade coletiva dos meios de produção. Ele está tão próximo do socialismo quanto eu do hare krishna”.

Vem comigo Aloysio falou à coluna na sexta à noite, antes de o Datafolha mostrar que Marina abriu 19 pontos de vantagem para Aécio. Sobre bandeiras tucanas que apareceram no programa da ex-senadora, disse: “Acho ótimo. É sinal de que ela pode nos apoiar no segundo turno”.

Até em casa É grande a preocupação no comitê de Aécio com o risco de uma dupla derrota em Minas Gerais. O candidato dava como certo que venceria as eleições para presidente e governador no Estado. Agora a ordem é fazer tudo para salvar Pimenta da Veiga (PSDB), que está atrás de Fernando Pimentel (PT).

Despolarizou Aécio viu Marina disparar como a candidata da oposição. Há 10 dias, o tucano tinha 34% dos votos de quem classifica o governo Dilma Rousseff (PT) como ruim ou péssimo, contra 33% da ex-senadora. Agora Marina abriu 21 pontos de vantagem: 48% a 27%.

Já foi Antes da divulgação da pesquisa, o maior medo dos aliados de Aécio era exatamente que Marina roubasse os votos antipetistas já no primeiro turno. “Não podemos deixá-la ocupar esse espaço”, dizia um tucano.

É ela Os eleitores que querem mudanças no próximo governo também migraram para Marina. Nesse grupo, a ex-senadora tem 39% das intenções de voto contra 24% de Dilma e 18% de Aécio.

Grotões A presidente não perdeu um ponto sequer nos municípios com até 50 mil habitantes, que concentram um terço do eleitorado brasileiro. Permaneceu com os mesmos 44%, enquanto Marina subiu de 17% para 29%.

Vou lá Dilma teria vantagem se o voto no Brasil fosse facultativo. Entre os entrevistados que iriam às urnas mesmo se não fossem obrigados, a petista aparece com 40%. Marina tem 34% e Aécio, 17%.

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Nosso Guia Militantes petistas beijaram os sapatos de Lula na última quinta, em São José dos Campos (SP). Ele pedia votos para o afilhado Alexandre Padilha em um carro de som com piso baixo.


TIROTEIO

“Alckmin culpa o governo federal pelos seus problemas. Só falta dizer que o ladrão que rouba em SP entrou pela fronteira do país.”

DE JOSÉ AMÉRICO (PT), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, sobre o discurso do PSDB de que Brasília tem culpa pela criminalidade no Estado.


CONTRAPONTO

A bomba do Amaral

O presidente do PSB, Roberto Amaral, atribui a um mal-entendido a fama de defensor da bomba atômica brasileira. Ele conta que, na primeira entrevista como ministro de Ciência e Tecnologia de Lula, em 2003, disse que o país precisava de “todo o conhecimento” nuclear.

—No dia seguinte, estavam repetindo que eu defendia a bomba— lembra o novo aliado de Marina Silva.
Preocupado, ele ouviu o conselho de um marqueteiro:
—É melhor não desmentir.
A fala abriu crise no governo petista e levou a ONU a pedir esclarecimentos ao Palácio do Planalto.