Dilma e Aécio tentam levar embate com Marina para o ‘mundo real’

Por Painel

Apelo ao ‘mundo real’ As campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) definiram uma estratégia comum para combater o discurso da “nova política” de Marina Silva (PSB). Os dois passarão a apresentar mais projetos ligados a problemas do dia a dia do eleitor. Os tucanos apostam que a ênfase em promessas para saúde, educação e segurança vai “trazer Marina para o mundo real” e evidenciar fragilidades em sua candidatura. “Não dá mais para discutir providência divina”, diz um aliado de Aécio.

Eu prometo Como parte da tática do “mundo real”, o candidato do PSDB dedicou boa parte do horário eleitoral de ontem à proposta de criar a Poupança Jovem. Dilma anunciou o programa Mais Especialidades na saúde.

O voto de Fidel O PT levou ao ar dois médicos cubanos para promover o programa Mais Médicos. O Código Eleitoral proíbe estrangeiros de participar de “atividades partidárias, inclusive comícios e atos de propaganda”.

E depois? Na reunião com presidentes de partidos aliados, anteontem, a presidente havia sido cobrada para apresentar mais propostas e fazer menos balanço do que já fez.

Ecocapitalismo Dilma disse no encontro que Marina deu uma guinada à direita ao propor a autonomia do Banco Central. “Se o Aécio defendesse isso, até o Serra reagiria contra”, provocou.

Piscadinha A petista contou que, no debate da Band, Aécio olhava para ela a cada alfinetada que ele dava em Marina. “Ele estava torcendo para eu fazer o mesmo”.

Nós contra eles A campanha petista tentará tachar a ex-senadora de “via alternativa da oposição” para evitar que ela continue a crescer entre quem gosta do PT.‌

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Bomba no palácio Durante a conversa no Alvorada, Dilma devorou salgadinhos de queijo e de camarão e uma bomba de chocolate.

Alto lá Comunicado de uma consultoria que circula no mercado financeiro já aponta 60% de chances de vitória de Marina na eleição presidencial. O texto, no entanto, alerta que um governo da ex-senadora tenderia a “frustrar” muitos setores.

Realpolitik Os analistas dizem que ela é pouco clara em seus projetos e defende propostas “incompatíveis no curto prazo”: “Marina sinceramente quer construir um Brasil diferente, mas as forças ao seu redor talvez sejam mais persistentes do que ela pode imaginar”.

Eu prometo O programa de governo de Marina, que será apresentado hoje, vai propor a criação do “Código de Defesa do Cidadão”. A promessa é estabelecer critérios de “transparência, agilidade e eficiência” dos serviços prestados pelo Estado.

Veja bem O ex-governador Alberto Goldman (PSDB) diz que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) segue engajado na campanha de Aécio. Eles estiveram juntos ontem e voltarão a se encontrar hoje.

Tá tranquilo Goldman diz acreditar que Aécio ainda tem tempo para alcançar Marina: “Cinco semanas são uma eternidade. Não há nenhum sinal de desespero”.

Chororô Luciana Genro (PSOL), que reclamou da falta de perguntas, não foi a única insatisfeita com o debate da Band. Ontem o nanico Eymael (PSDC) protestou na TV por não ter sido convidado.

Qué se siente A juventude do PT do Rio adaptou o canto dos argentinos na Copa do Mundo, que dizia que Maradona é “más grande” que Pelé, para defender Dilma: “Eu construo o projeto / projeto socialista e popular”, diz a versão petista da letra.


TIROTEIO

“A campanha eleitoral produz cenas de desespero. Até gente que nunca acordou cedo aparece madrugando em canteiro de obra.”

DE JOÃO CARLOS GONÇALVES, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre visita de Aécio Neves (PSDB) às obras de um condomínio em São Paulo.


CONTRAPONTO

O dia em que Serra caiu da cama

A presença do notívago José Serra no ato de Aécio Neves (PSDB) com operários marcado para as 6h30 de ontem surpreendeu o presidenciável Aécio Neves (PSDB).

—Isso é inacreditável… Hoje é um dia histórico! —festejou Aécio ao avistar o aliado, repetindo uma piada feita há algumas semanas pelo governador Geraldo Alckmin.
Com cara de sono, Serra subiu ao carro de som e prometeu “falar muito rápido” por três motivos. Primeiro: os trabalhadores tinham pressa. Segundo: estava frio.
—E esse caminhão aqui, ou eu estou tonto ou ele está balançando… —concluiu o candidato ao Senado.