Até guinada liberal, Marina acusava bancos de serem ‘vorazes por lucro’

Por Painel

Quem te viu… A presidenciável Marina Silva (PSB), que agora defende as principais bandeiras do mercado financeiro, já foi uma adversária radical das privatizações, do pagamento da dívida externa e do Plano Real. Em discursos como senadora do PT, no governo Fernando Henrique Cardoso, ela associou a venda de estatais à alta do desemprego e acusou os bancos de serem “vorazes por lucro” e sem “nenhum compromisso com o povo”. Marina também votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Quem te vê… A guinada liberal da candidata começou na eleição de 2010, quando ela prometeu manter o chamado tripé macroeconômico e passou a elogiar FHC. Agora a presidenciável vai além, prometendo até a autonomia do Banco Central.

Deixa pra lá Coordenador do novo comitê, Walter Feldman diz que a ex-petista não precisará assinar uma nova “Carta aos Brasileiros”, a exemplo de Lula em 2002. A ideia é defendida por Márcio França, tesoureiro do PSB.

Capital amigo Dirigentes da campanha estão animados com o ritmo das doações nos últimos dias. O empate técnico com Aécio Neves (PSDB) no Datafolha divulgado na última segunda-feira turbinou o interesse de grandes empresas por Marina.

Encolhi as crianças Os nomes de Eduardo Campos e Marina Silva tinham o mesmo tamanho no material gráfico da chapa. Agora o do novo vice, Beto Albuquerque, aparece em letras miúdas.

Ordem dos fatores Nas redes sociais, a assessoria de Albuquerque tenta difundir a hashtag #BetoeMarina, com o vice à frente da titular.

Alves

‌Que bicho deu? O coordenador da campanha de Aécio, José Agripino (DEM-RN), ironiza a divisão de tarefas na chapa rival: “Que história é essa de Beto ir aos palanques em que Marina não sobe? O eleitor não vai entender essa cobra de duas cabeças”.

Vai por aí Em documento apresentado na sexta-feira, o núcleo do programa de governo de Dilma Rousseff (PT) que elaborou propostas sobre trabalho e emprego sugeriu que ela defendesse o fim do fator previdenciário.

Não vou, não No mesmo dia, a presidente disse em Porto Alegre que a proposta é “demagogia”. Os sindicalistas do comitê não gostaram.

É dos trabalhadores Os formuladores de Dilma redigiram 13 propostas que fariam tremer o empresariado já avesso à petista. O cardápio inclui a redução da jornada de trabalho, restrições à terceirização e reforço na fiscalização de empresas.

Franco-atiradora Sem nada a perder, a candidata do PSOL, Luciana Genro, inaugurou os ataques a Marina, a quem chama de “segunda via do PSDB”. Ela tenta seduzir o eleitor jovem e insatisfeito que flerta com a ex-senadora.

Olha o mico, vô A neta de Cesar Maia (DEM), candidato ao Senado no Rio, tem reclamado das “selfies” que ele publica na internet. O ex-prefeito costuma cortar metade do rosto nas fotos.

Olha o mico, pai Daniela Maia, filha do político, também protestou: “Pai, você tem vergonha do seu nariz?”. O apelo não surtiu efeito.

Ou ela ou eu O empresário e playboy Alvaro Garnero desistiu de concorrer à Câmara. Disse ao PRB que a namorada o deixaria se ele insistisse da carreira política.

Bom menino O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, que ligou o tesoureiro petista João Vaccari a empresas envolvidas na Operação Lava Jato, pediu para ser solto. Alegou que está colaborando com a investigação.


TIROTEIO

“O governo treinou testemunhas para fraudar a CPI, mas não calou Paulo Roberto. Agora veremos o estrago que o PT fez na Petrobras.”

DO DEPUTADO RUBENS BUENO (PPS-PR), líder da bancada na Câmara, sobre a decisão do ex-diretor da estatal de fazer delação premiada à Polícia Federal.


CONTRAPONTO

Lula, Brizola e um papo com Getúlio

Na campanha de 1998, Leonel Brizola levou Lula a São Borja (RS) para visitar o túmulo de Getúlio Vargas, cuja morte faz hoje 60 anos. Para espanto do petista, seu companheiro de chapa presidencial começou a falar em voz alta com o finado, chamando-o de “doutor Getúlio”.

—De repente, o Brizola falou: “Lula, quer conversar com o Getúlio?”. Eu falei: “Não, Brizola, eu não quero”… —lembrou o ex-presidente, em novembro de 2010.

A negativa não desanimou o fundador do PDT.

—Aí ele me apresentou: “Olha, doutor Getúlio, esse é o operário que nós vamos apoiar agora!”