Dilma se prepara para enfrentar artilharia pesada no Jornal Nacional

Por Painel

Agenda negativa A presidente Dilma Rousseff está se preparando para enfrentar artilharia pesada hoje no “Jornal Nacional”. Ela tem ensaiado respostas para temas sensíveis como a crise da Petrobras, o baixo crescimento da economia e o repique da inflação. A campanha também espera perguntas sobre o retorno de políticos e partidos que haviam sido “faxinados” no início do governo. O treinamento foi reforçado depois da entrevista de Aécio Neves (PSDB), que foi mais dura do que os petistas esperavam.

Mando de campo O presidente do PPS, Roberto Freire, protesta contra a decisão de Dilma de falar no Palácio da Alvorada, e não no estúdio do “JN”. “É um absurdo. Ela estará lá como candidata, não como presidente.”

Vamos conversar? Em sua entrevista, Aécio trocou nomes de eleitores que diz ter conhecido pelo Brasil. Chamou de Suelen a feirante Suênia, de Campina Grande (PB), e de Severino o agricultor Francisco, de Mauriti (CE). Os dois apareceram em propaganda do PSDB em 2013.

Fé no sotaque De um aliado de Eduardo Campos (PSB), antes de ele ser cobrado na bancada pela nomeação de parentes para cargos públicos: “Só de o povo perceber que ele é nordestino, já vai crescer uns cinco pontos”.

Ritmo de forró Petistas divulgam paródia de “Asa Branca” que acusa Campos de trair o partido. “Virou as costas / Traiu o Lula / E a Marina lhe deu a mão”, diz a letra

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Cinto apertado Em conversa com estudantes, na segunda-feira, Dilma contou que se identifica com quem tem medo de voar: “Como eu, tem certo receio, mas viaja. Entra meio temeroso, mas vai lá e encara um aviãozinho…”

Dá a chupeta Do ex-presidente Lula para a sucessora, no lançamento do site de seu instituto: “Ouvi uma criança chorar e fiquei com medo de algum setor da imprensa dizer que era um protesto!”

Psicólogo O tucano Antonio Imbassahy tentará convencer Nestor Cerveró hoje, na CPI da Petrobras, de que o Planalto está “queimando” a antiga diretoria da estatal para proteger Dilma. A meta é convencê-lo a atacar Dilma.

Tomou Doril Na semana passada, um amigo de Cerveró avisou à oposição que ele estaria disposto a abrir fogo contra o governo. Parlamentares procuraram o emissário ontem, mas ele sumiu.

Não gostou O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) diz ter ficado “espantado” com críticas de ministros do Supremo, que arquivou inquérito em que ele era acusado de discriminar homossexuais.

Na bronca O pastor se irritou com Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, que reprovaram seu discurso contra os gays. “Os ministros estão lá para julgar e aplicar penas, não para dar lição de moral.”

Desviando o foco O governo Geraldo Alckmin força a disputa com o Rio pela água do Jaguari para vender a ideia de que a crise hídrica não se restringe ao Estado. “É um absurdo tirar água de consumo para a Light gerar energia no Rio”, diz Saulo de Castro, chefe da Casa Civil.

Pezinho O PT de Lindberg Farias vai partir para o ataque contra a linha “light” de Luiz Fernando Pezão (PMDB) no conflito com os paulistas. Para os petistas, o governador não defende o Estado com a força necessária.

Vai ter troco Os três vereadores chamados de “batedores de carteira” por José Jacinto de Amaral farão queixa-crime contra o ex-dirigente da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. “Ele se atrapalhou ao usar termos chulos contra nós”, diz Adilson Amadeu (PTB).


TIROTEIO

“O financiamento empresarial é a negação do princípio básico da democracia: um homem, um voto. A relação fica desequilibrada.”

DO MINISTRO JORGE HAGE (CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO), sobre a atual permissão para que empresas financiem candidatos nas disputas eleitorais.


CONTRAPONTO

Um presidenciável distraído

Candidato à Presidência em 1989, Roberto Freire era recebido por militantes do antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro) em cada cidade que visitava em busca de votos. Em uma viagem a Cuiabá, atrapalhou-se e desceu em Campo Grande, onde o avião fazia escala. Ao chegar ao saguão do aeroporto, ficou preocupado: não havia nenhuma bandeira vermelha com a foice e o martelo.

—Logo pensei: “Danou-se. Aqui o partido não existe…”
Para sorte do candidato, um velho comunista passava por lá e avisou que ele estava na cidade errada.
—Voltei correndo para o avião! —lembra Freire.