Relatório trata Vargas como sócio informal do doleiro Alberto Youssef

Por Painel

Razões da degola No relatório em que pedirá a cassação de André Vargas, Júlio Delgado (PSB-MG) sustenta que o ex-petista quebrou o decoro ao intermediar interesses de um grupo criminoso com o governo. Segundo integrantes do Conselho de Ética da Câmara, o texto descreve como vantagens indevidas os favores que ele recebeu de Alberto Youssef, preso no Paraná. O documento, que deve ser apresentado hoje, trata o deputado como sócio informal do doleiro na empresa farmacêutica Labogen.

Não, obrigado Uma secretária do Conselho de Ética deu plantão na porta do escritório do advogado que defende Vargas. Sua missão era entregar um último convite e convencer o ex-petista a prestar depoimento hoje. A servidora não foi atendida.

Te conheço? O recurso de Vargas para tentar afastar Delgado da relatoria do caso já teve mais chance de prosperar. O paranaense se desgastou por ter feito críticas ao PT depois de ser pressionado a se desfiliar do partido. Hoje restam menos colegas dispostos a ajudá-lo.

Fé no palanque Eduardo Campos e Marina Silva (PSB) farão amanhã, em Brasília, a segunda reunião com líderes evangélicos em três dias. Serão acompanhados por Rodrigo Rollemberg, candidato a governador.

Eu vi primeiro A dupla quer aproveitar a força de Marina no segmento religioso para estreitar os laços com pastores e evitar que o azarão Pastor Everaldo (PSC) amplie as alianças com igrejas.

Povos da floresta Campos e Marina reuniram aliados por cerca de uma hora para afinar o discurso que ele fará amanhã em sabatina na CNA, a entidade que representa o agronegócio. O presidenciável pediu ajuda para defender as propostas ecologicamente corretas da vice.

Motosserra Antes de se aliar a Marina, Campos flertava abertamente com a ala mais radical do ruralismo, representada pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Vira-casaca O PSDB de Minas Gerais calcula que 22 prefeitos do PT apoiarão Pimenta da Veiga, o candidato tucano ao governo do Estado. O grupo deve abandonar o petista Fernando Pimentel.

Sessão da Tarde João Santana, o marqueteiro de Dilma Rousseff, começou a filmar a campanha com uma Arri Alexa XT. A supercâmera foi lançada em 2013 e usada em filmes como “Capitão América” e “RoboCop”. Custa cerca de R$ 180 mil nos EUA, sem contar as lentes.

Cine retrô Assim como na disputa de 2012, as equipes de campanha tentam convencer as emissoras a exibir a propaganda eleitoral em alta definição. Como não há consenso, o material deve ir ao ar em formato analógico.

Adolar

‌Auxílio luxuoso Político em campanha esbanja simpatia até com jornalista. Ontem Dilma recolheu gravadores de repórteres e os posicionou um a um no púlpito em que deu entrevista em Guarulhos (SP). “Vou virar receptadora de gravador!”, brincou.

Chapa branca Não é a primeira vez que a Petrobras se mobiliza para controlar uma CPI que a investiga. Na comissão de 2009, a estatal chegou a contratar uma assessoria para orientar parlamentares a protegê-la.

Poste sem luz O PSB diz ter pesquisa mostrando que 40% dos pernambucanos acham que Eduardo Campos apoia o rival Armando Monteiro (PTB), e não o afilhado Paulo Câmara (PSB), na corrida ao governo estadual.

Boa notícia Após quase um ano em tratamento de saúde, a repórter Catia Seabra está de volta à ativa.


TIROTEIO

“Alckmin mostra de novo ser o governador do ‘Ctrl C + Ctrl V’. Mas, como de costume, a cópia dele é pior que nossa proposta original.”

DE ALEXANDRE PADILHA, candidato do PT ao governo de SP, sobre promessa do tucano de integrar os ônibus intermunicipais ao transporte sobre trilhos.


CONTRAPONTO

A metralhadora do Millôr

Millôr Fernandes (1923-2012) levava a sério a própria máxima: “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Implacável com políticos à esquerda e à direita, sabia encontrar o ponto exato para bater em cada um —e sem jamais perder a irreverência.

—Fernando Henrique Cardoso acha que essas são as três palavras mais bonitas do mundo —disparou, em 2001, sobre a conhecida vaidade de FHC.

Dois anos depois, começaria a era Lula. Irritado sobre o presidente que falava sobre tudo, Millôr sentenciou:

—A ignorância subiu-lhe à cabeça!