Ministros do STF se articulam para anular ato de Barbosa e adiar eleição

Por Painel

Rei morto, rei posto Com a aposentadoria de Joaquim Barbosa no “Diário Oficial”, ministros se articularam ontem para anular um de seus últimos atos: a escolha do dia da eleição do novo presidente do Supremo Tribunal Federal. Marcada para hoje, a votação que elegerá Ricardo Lewandowski deve ser adiada para a próxima semana. Desafetos de Barbosa alegam que ele ignorou o regimento interno. De acordo com o texto, a votação só deve ser realizada na segunda sessão posterior à vacância da presidência.

A regra é clara Além de Lewandowski, que não foi consultado por Barbosa sobre a data da eleição, ministros como Marco Aurélio Mello e Luiz Roberto Barroso sustentam que o regimento deve ser seguido à risca. Barroso decidiu ficar hoje no Rio, onde tinha palestra marcada.

Estou ocupado Ainda como presidente interino do STF, Lewandowski pautou 101 processos para a sessão de hoje. Com a agenda carregada, terá mais um motivo para defender o adiamento da eleição para semana que vem.

Antes tarde O PSDB em peso considera que Aécio Neves demorou demais para admitir que usou o aeroporto de Cláudio (MG). Os mais otimistas acreditam que agora a polêmica tende a esfriar.

Por mim, não O PT fará o possível para manter o assunto nos jornais. Hoje a campanha de Dilma Rousseff pedirá à Procuradoria-Geral da República que investigue se o uso do aeroporto configurou atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Quem paga A pista não é homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil. Em tese, pilotos que pousaram lá podem ser condenados a penas de 2 a 5 anos de prisão.

Bota fermento O mau desempenho de petistas em vários Estados importantes preocupa o comitê de Dilma. Por ora, a ordem é esperar que os candidatos a governador se recuperem para só então começar a “colar” a imagem da presidente aos aliados.

Sem passaporte Dilma vai cortar ao máximo seus compromissos internacionais até a eleição. Ela pediu ao vice Michel Temer que a represente na posse do presidente reeleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, dia 7.

Nota vermelha Eduardo Campos e Marina Silva (PSB) não conseguiram concluir o programa de governo a tempo de apresentá-lo no dia 4, quando o “Jornal Nacional” começa a cobertura eleitoral.

Lição de casa A dupla adiou o anúncio para o dia 13, quando deve detalhar promessas como a educação de tempo integral e o passe livre. Os dois querem evitar críticas de que o texto é genérico.

Levanta-te Em reunião com Fernando Haddad e seus secretários petistas, o ex-presidente Lula voltou a reclamar que o prefeito não defende sua gestão como deveria.

Quem manda Em vez de receber o padrinho político na prefeitura, como recomendaria o protocolo, Haddad se deslocou com os auxiliares para ouvir as críticas na sede do Instituto Lula.

Alves

Zé do Caixão O deputado estadual Campos Machado (PTB) fará campanha hoje em um cemitério. Autor de lei que regulariza o transporte intermunicipal de cadáveres, ele se reunirá com donos de funerárias de São Paulo.

Enxaqueca Além da liderança de José Roberto Arruda (PR), os petistas têm um novo motivo de preocupação no Distrito Federal: o nervosismo de Agnelo Queiroz (PT).

Descontrole O governador abandonou o primeiro debate da eleição anteontem, depois que Arruda ganhou um direito de resposta.


TIROTEIO

“Meu primo Suplicy é esperto. Mostrou aos petistas que o hostilizam que ao menos ele tenta carregar Alexandre Padilha nas costas.”

DO VEREADOR ANDREA MATARAZZO (PSDB-SP), sobre gesto de Eduardo Suplicy, que anteontem ergueu o candidato ao governo em ato da campanha.


CONTRAPONTO

A receita do professor Afif

Na última segunda-feira, o PSD promoveu um debate em São Paulo com a presença dos ministros Marcelo Neri e Guilherme Afif, do cientista político Rubens Figueiredo e do economista Roberto Macedo.

Quando a conversa migrou para a educação, Afif disse que o ensino nas escolas brasileiras precisa ser mais atrativo para os estudantes. Empolgado, sentenciou que é preciso acabar com a “aula GLS”. Os presentes se entreolharam. Antes que perguntassem se havia conotação sexual na ideia, o ministro esclareceu:

—GLS, é giz, lousa e saliva…