Dilma tenta reanimar setor produtivo para minar pessimismo com economia

Por Painel

Em busca do PIB Preocupada com o pessimismo sobre os rumos da economia, a presidente Dilma Rousseff fará um esforço nas próximas duas semanas para tentar reanimar o setor produtivo. Ela venderá otimismo em encontros com industriais, microempresários e representantes do agronegócio. Os petistas sabem que o ambiente de desconfiança pode comprometer a reeleição. Por isso, Dilma vai martelar a ideia de que o país superou gargalos e está crescendo, apesar da crise internacional.

Roteiro Nesta quarta-feira, Dilma visitará a Confederação Nacional da Indústria. No dia 6, estará na CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). No dia 7, sancionará a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.

Chão de fábrica A presidente também tentará vender otimismo a sindicalistas. No encontro da CUT, dia 31, e no evento com outras centrais sindicais, na semana seguinte, repetirá que o crescimento do emprego e da renda é mais importante que a expansão acanhada do PIB.

Balança Pesquisas internas do PT indicam ligeira recuperação do otimismo dos eleitores em relação à própria situação econômica. A estabilização de preços dos alimentos ajudou muito na mudança de humor. O medo da inflação futura, no entanto, continua mais forte do que os petistas esperavam.

 

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‌Feira livre Metáfora de um dirigente da campanha de Eduardo Campos (PSB) para descrever o ritmo da arrecadação de recursos na disputa presidencial: “Enquanto a Dilma consegue dez maçãs, o Aécio arruma três, e o Eduardo, só uma…”

De grão em grão O comitê de Aécio Neves (PSDB) vem tentando se aproximar de grupos com bandeiras cada vez mais específicas. A última investida é nos defensores de mudanças na legislação sobre rótulos de embalagens. A causa reúne 60 mil adeptos no Facebook.

Vira-casaca O antropólogo baiano Antônio Risério, que ajudou a escrever os discursos de Dilma na eleição de 2010, mudou de time mais uma vez. Na pré-campanha deste ano, ele atuou na equipe de Eduardo Campos (PSB). Agora, trabalha com os marqueteiros de Aécio.

Fiscal de poste Acusado pela ex-mulher de receber propina e manter conta não declarada na Suíça, o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ) se notabilizou, no início da gestão do prefeito Eduardo Paes, por comandar operações para prender foliões que urinavam na rua.

Com quem andas Em fevereiro de 2013, Bethlem pediu exoneração do secretariado de Paes para reassumir o mandato de deputado federal por um dia. Objetivo: ajudar a eleger Eduardo Cunha (RJ) o líder do partido.

Operação resgate Na reunião que definiu estratégias para tirar a candidatura de Alexandre Padilha do atoleiro, Dilma prometeu usar o cargo para ajudá-lo. Vai marcar mais agendas oficiais em São Paulo até outubro.

Chama mais gente No encontro, petistas sugeriram à presidente criar um comitê suprapartidário de prefeitos paulistas. A ideia é que o grupo seja coordenado por um político filiado a outra sigla.

Novo rumo A vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão (PC do B), deve reforçar a articulação de Fernando Haddad (PT) com as subprefeituras. Ela estava à frente do Comitê Especial para a Copa do Mundo.

Velho cargo O Mundial da Fifa acabou no dia 13, mas o comitê municipal ainda não foi extinto. Sua estrutura continuará a existir oficialmente até 31 de agosto.


TIROTEIO

“Enquanto o governo comemora um prejuízo bilionário na Petrobras, Dilma copia Lula: ‘Não sei de nada’. A resposta virá nas urnas.”

DO DEPUTADO ANTÔNIO IMBASSAHY (PSDB-BA), líder tucano na Câmara, sobre a decisão do TCU de isentar a presidente pela compra da refinaria de Pasadena.


CONTRAPONTO

Unidos pelo fracasso

Na entrevista em que anunciou o avanço do Brasil no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), Jorge Chediek, representante das Nações Unidas, arriscou um comentário sobre a Copa do Mundo. Diante da lembrança do fiasco da seleção brasileira, recuou:

—Melhor não falar da Copa, né? —propôs, provocando certa desconfiança por causa do sotaque.

Para que não restassem dúvidas de que partilhava a tristeza dos brasileiros, ele esclareceu:

—Eu sou argentino, viu? Também sofri a minha cota… —disse, lembrando a derrota na final contra a Alemanha.