Imagem de ‘bon vivant’ pode dificultar corrida de Aécio por voto evangélico

Por Painel

Pedras no caminho Aécio Neves (PSDB) terá dificuldades na corrida ao voto evangélico, que ele mesmo iniciou ao visitar um templo da Convenção Geral das Assembleias de Deus. Presidente do conselho político da entidade, o pastor Lélis Marinhos diz que a imagem de “bon vivant” pode atrapalhar o tucano. “Aécio não comunga do modo de vida pregado por nós”, afirma. “A igreja é muito conservadora. Qualquer fato que destoe é considerado desvio de conduta, que não indicamos aos fiéis.”

Brecha Apesar de frisar a “dificuldade de convergência” com o tucano, o pastor Lélis Marinhos diz que o apoio da igreja não depende só da imagem pessoal do candidato. “Tem de ser estudado em uma conjuntura muito mais ampla, que não aborde só esse tema”, afirma.

Sintoma Os números do Datafolha deixam claro que o desafio de Aécio será grande. Ele tem apenas 14% das intenções de voto entre os evangélicos pentecostais. Na média da população, aparece bem melhor, com 20%.

Fidelidade O presidente da Convenção Geral, pastor José Wellington, apoiou o tucano José Serra em 2010. Sua filha Marta Costa (PSD), vereadora em São Paulo, é a segunda suplente do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), vice na chapa de Aécio.

Vem, Dudu A defesa de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras suspeito de corrupção, indicou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) como testemunha de defesa no processo em que ele é acusado de participar de superfaturamento na refinaria de Abreu e Lima (PE).

Fica, Dilma Advogados do ex-diretor, que está preso, sustentam que Campos pode esclarecer que a construção foi regular. O ex-governador de Pernambuco não foi consultado antes da indicação. A defesa diz que estudou apontar Dilma Rousseff como testemunha, mas desistiu.

Meus garotos O ex-governador paulista Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) anda se gabando pela entrada de Aloysio na chapa tucana. “Veja como escolho bem: os dois candidatos a vice estiveram em meu gabinete. Aloysio foi meu vice, e Michel Temer, o vice da Dilma, foi meu secretário da Justiça.”

Lá vem vaia O Planalto reconhece que o vexame da seleção pode respingar em Dilma, que prometeu entregar a taça aos campeões neste domingo, no Maracanã. A primeira ordem é baixar o tom ufanista, mas insistir no discurso de que a organização da Copa foi um sucesso.

Culpa dela Enquanto Aécio e Campos divulgavam lamentos protocolares, parte da oposição vibrava com a derrota. “Certo que Lula e Dilma se ferraram. Muda Brasil”, disse Xico Graziano, um dos coordenadores da campanha tucana, no Twitter.

Culpa dele Petistas de baixa patente também tentaram surfar na tragédia de BH. “Agora que soube que o Aécio estava no camarote do Mineirão. Pé frio!”, debochou Gabriel Medina, coordenador de Juventude do prefeito Fernando Haddad (PT).

Culpa da CBF Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, preferiu atacar os cartolas. “Enquanto máfias continuarem a comandar o futebol brasileiro, tanto os grandes clubes como a seleção ficarão nesta merda!”, esbravejou, em uma rede social.

Aerotrem E o nanico Levy Fidelix (PRTB) sentenciou, eufórico: “A Alemanha salvou o Brasil do PT”.

Alves

Dura O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, foi revistado pela PM ao chegar para assistir ao jogo em um parque de São Miguel, na zona leste.


TIROTEIO

“O PT quis fingir que o filho não era dele, mas a Justiça decidiu: o deputado acusado de se reunir com o PCC é sim da chapa do Padilha.”

DO DEPUTADO ESTADUAL PEDRO TOBIAS (PSDB-SP), sobre liminar que permite ao colega Luiz Moura disputar a reeleição à Assembleia Legislativa pelo PT.


CONTRAPONTO

Plínio, a sensação dos debates

O bom humor de Plínio de Arruda Sampaio, que morreu ontem aos 83 anos, quebrou a monotonia dos debates presidenciais de 2010. No primeiro encontro, na Band, ele mostrou a que veio logo na abertura:

—Imagino que vocês estejam surpresos, não é? Porque eram só três. Agora apareceu mais um!

O socialista não conseguiu ameaçar os favoritos, mas divertiu ao distribuir rótulos como “hipocondríaco”, para José Serra, e “ecocapitalista”, para Marina Silva. Quando Dilma Rousseff faltou ao debate da Gazeta, ele ironizou:

—Essa moça é um blefe… ela foi inventada!