Candidato em Brasília, Arruda é réu em 12 ações penais

Por Painel

Folha corrida Líder das pesquisas no Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda (PR) terá que dividir o tempo entre a campanha na rua e a defesa nos tribunais. Documentos entregues à Justiça Eleitoral mostram que ele responde a 12 ações penais ligadas ao mensalão do DEM, escândalo que motivou sua prisão em 2010. Arruda é acusado de corrupção ativa, associação criminosa, fraude a licitação, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e falso testemunho. Ele nega tudo.

Assim é… No site que criou para rebater as denúncias, Arruda dá uma nova versão para a famigerada “oração da propina”, o vídeo em que dois deputados que o apoiavam agradecem a distribuição de dinheiro vivo.

… se lhe parece Diz o ex-governador: “A oração da propina é contra mim, é uma prece ao Senhor para que me tire do caminho deles”.

Peneira A Lei da Ficha Limpa só barra os políticos já condenados em segunda instância. Como ainda responde às ações, Arruda conseguiu se candidatar de novo.

Outro lado A assessoria do ex-governador atribui o grande número de ações a uma “estratégia do Ministério Público para desgastá-lo”, fatiando em vários processos a denúncia original ao Superior Tribunal de Justiça. Ele nega todas as acusações e se diz alvo de “golpe” do PT.

Companhias No primeiro dia de campanha, a candidata do PT ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann, pediu votos ao lado do deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu.

Herança Acabou a disputa no PT paulista pelo número que era usado por Dirceu em suas campanhas. O 1368 ficou com o deputado estadual Adriano Diogo, que agora é candidato a federal.

Defesa A OAB indicou três pesos-pesados para defender o advogado Luiz Fernando Pacheco das acusações do ministro Joaquim Barbosa, do STF. A banca inclui Márcio Thomaz Bastos e José Roberto Batochio.

Ataque Defensor de José Genoino, Pacheco foi expulso do plenário do Supremo e é investigado por desacato, calúnia, difamação e injúria.

Veloz e furioso Fernando Collor (PTB-AL) trocou de Ferrari desde a última eleição: vendeu uma F-430, de R$ 459 mil, e comprou uma 612 Scaglietti, de R$ 556 mil. O senador declarou à Justiça Eleitoral ter 14 carros, entre eles uma BMW de R$ 714 mil.

O colecionador Candidato a suplente de senador, Ronaldo Cezar Coelho (PSD-RJ) registrou patrimônio de R$ 553 milhões. Listou quadros de Volpi (R$ 9,8 milhões) e Portinari (R$ 3,8 milhões), depósitos de R$ 180 milhões nas Ilhas Virgens Britânicas e duas cadeiras cativas no Maracanã.

Chapa preta O prefeito de Botucatu, João Cury (PSDB), usou o carro oficial para ir à primeira reunião da campanha de Aécio Neves. O automóvel ficou parado atrás do comitê, e não no estacionamento da casa. Cury faz a ponte entre o candidato e os prefeitos do interior paulista.

Adolar

Pés descalços Na mesma reunião, Fernando Henrique Cardoso lembrou o dia em que perdeu a sola do sapato em caminhada da campanha de José Serra em 2010, no centro de São Paulo. O ex-presidente brincou que se esforçaria para não repetir a cena ao lado do mineiro.

Visita à Folha O senador Pedro Simon (PMDB-RS) visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Luiz Fonseca, assessor de imprensa, e Oswaldo Chade, advogado.


TIROTEIO

“Os contratos são públicos. Em outros anos, já foi usada a estratégia de lançar injúrias, sem escrúpulo ou compromisso com a verdade.”

DE SAULO DE CASTRO, secretário de Logística do governo de São Paulo, sobre cobrança de Paulo Skaf (PMDB) por mais transparência nas tarifas de pedágio.


 

CONTRAPONTO

O olé do banqueiro em FHC

Candidato a senador em 1978, Fernando Henrique Cardoso amargou uma escassez de recursos na reta final da campanha. O ex-ministro José Gregori, que ontem assumiu oficialmente o comitê financeiro de Aécio Neves, era quem cuidava das contas do sociólogo. Ele procurou um diretor do Unibanco e o levou a seu restaurante preferido, na esperança de uma doação salvadora.

Para a tristeza do tesoureiro, o executivo não liberou um centavo e ainda deixou a conta para a dupla. Quando ele deixou a mesa, FHC disse a Gregori, resignado:

—Nunca espere que uma só pessoa traga a solução…