PT vive guerra interna por números de candidato usados por Dirceu e Genoino

Por Painel

O número de Dirceu O PT vive uma guerra interna pelos números que eram usados por José Dirceu (1368), José Genoino (1313) e João Paulo Cunha (1325) em campanhas para deputado federal em São Paulo. Os petistas não têm medo de se associar a colegas presos no julgamento do mensalão. “Para o grande público, isso pode trazer desgaste. Mas o partido precisa resgatar sua história”, diz o veterano Adriano Diogo. Também estão na disputa novatos como Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians.

Ninguém queria Em 2006, um ano depois de o escândalo vir à tona, o petista Antonio Leite escolheu o número de Dirceu e não conseguiu se eleger. Em 2010, ninguém quis usar o 1368 na urna.

Balança 1 Apesar da recuperação de Dilma Rousseff (PT) no Datafolha, Aécio Neves (PSDB) aparece à frente pela primeira vez na simulação de segundo turno entre eleitores que vivem em cidades grandes e médias.

Balança 2 Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, o tucano vence por 45% a 40%. Em cidades com população de 200 mil a 500 mil, lidera com 45% a 34%.

Descendo do muro A fatia de eleitores sem candidato ou dispostos a anular o voto caiu de 34% para 26% nas grandes cidades. No eleitorado entre 16 a 24 anos, que engrossou os protestos de junho, a queda foi de 11 pontos.

Basta O presidente do DEM, José Agripino, comandou a operação que anulou ontem o apoio do partido a José Roberto Arruda (PR) nas eleições do Distrito Federal. “Passamos dois anos sendo açoitados pela memória do mensalão do DEM”, justifica.

Chega O coordenador da campanha de Aécio diz que a legenda sofreu mesmo após forçar a desfiliação de Arruda, que foi filmado recebendo dinheiro que seria usado para subornar deputados. “Já pagamos um preço alto demais por ele”, afirma Agripino.

Vespeiro Michel Temer se reuniu com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) duas vezes para pedir que o PT excluísse trechos polêmicos do programa de governo de Dilma, como a regulação da mídia. O vice-presidente avisou que o PMDB faria críticas públicas à ideia.

Alerta Eliana Calmon, a ex-corrgedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), se diz preocupada com os planos de Ricardo Lewandowski para o órgão. “Se ele esvaziar a corregedoria, transformará o conselho em algo meramente burocrático”, afirma.

Histórico Ela acusa o ministro de “resgatar uma ideia já repudiada pelo Supremo”. Em 2012, a corte manteve o poder do CNJ para investigar juízes sem esperar as corregedorias dos tribunais. Lewandowski votou contra.

Novos voos A PF apreendeu na terça-feira um helicóptero registrado em nome do doleiro Alberto Youssef. Os investigadores suspeitam que ele foi usado pelo deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) durante mais de um ano.

Você por aqui? Gleisi Hoffmann (PT-PR) esbarrou com o ainda deputado André Vargas, que tenta escapar da cassação, no restaurante de um hotel em Curitiba na segunda-feira. Os dois trocaram algumas palavras.

Toda ouvidos A Petrobras pediu à Justiça para ouvir o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, na investigação interna sobre a compra da refinaria de Pasadena.

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Bigode atômico Levy Fidelix (PRTB), o eterno presidenciável do aerotrem, agora promete criar dez usinas nucleares no país. A ideia está no programa que ele registrou na Justiça Eleitoral.


TIROTEIO

“Aloysio não agrega regionalmente nem nas alianças, além de ser estourado. Um tiroteio em pessoa e um tiro no pé da candidatura.”

DO DEPUTADO VICENTINHO (PT-SP), líder do partido na Câmara, sobre a escolha de Aloysio Nunes (PSDB-SP) como vice da chapa tucana à Presidência.


CONTRAPONTO

Oportunidade única

Relator há 17 anos de um projeto de lei que exige a presença de farmacêuticos nas farmácias, Ivan Valente (PSOL-SP) foi convidado ontem a presidir a sessão que aprovaria o texto. Seus colegas não perderam a chance:

—Sua Excelência é o terceiro da linha sucessória neste momento! —brincou Henrique Fontana (PT-RS).

—Instale o socialismo, presidente Ivan! —emendou o gaiato Chico Alencar (PSOL-RJ).

Paulo Teixeira (PT-SP) também entrou no clima:

—O presidente Ivan está feliz e calmo. Aprovar projeto aqui faz mais efeito que remédio bem prescrito!