Campanha de Aécio irá mirar ataques na gestão Dilma, desviando de Lula

Por Painel

Bombardeio cirúrgico A campanha de Aécio Neves (PSDB) quer concentrar os ataques na gestão de Dilma Rousseff (PT), desviando a mira do governo Lula. Para driblar a comparação entre os 12 anos do PT e os oito de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos repetirão que Dilma é a primeira presidente em duas décadas que entregará o país pior do que recebeu. Quando o ataque a Lula for necessário, o vice Aloysio Nunes será acionado. O senador deve passar a maior parte do tempo em São Paulo, sua base eleitoral.

Na conta Nas últimas semanas, Aécio repetiu a aliados que o escândalo do cartel do metrô em São Paulo seria explorado pelo PT mesmo que Aloysio não fosse seu vice. O STF (Supremo Tribunal Federal) excluiu o senador do inquérito por falta de provas.

Garbo A equipe de marketing do PSDB se esforçou para demover Aécio da ideia de ter Ellen Gracie como vice. Havia temor de que a ex-ministra do STF, elogiada pela elegância, transmitisse uma imagem elitista aos segmentos mais pobres do eleitorado.

Fico Não há previsão de que Aloysio deixe a liderança do PSDB no Senado ou se licencie do mandato, como fará Aécio. Ele deve usar a tribuna para defender o colega de chapa de ataques petistas.

No banco Se os tucanos vencerem a eleição, a cadeira do senador paulista ficará para o ex-deputado Airton Sandoval (PMDB). O suplente era fiel escudeiro do ex-governador Orestes Quércia.

Camaradas Com a entrada de Aloysio na chapa tucana, Dilma Rousseff deixa de ser a única candidata com passagem pela luta armada contra a ditadura militar. O tucano militou na ALN (Ação Libertadora Nacional).

Armas na mão O senador era responsável por transportar o líder guerrilheiro Carlos Marighella —que sabia atirar, mas não dirigir. Em 1968, participou do lendário assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí. “Foi uma expropriação impecável”, disse ao “Jornal do Brasil”, em 1999.

Repeteco O presidente do comitê financeiro de Aécio será José Gregori, ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele teve o mesmo papel na campanha de Serra em 2010.

Volta! Em reunião com Lula, o sindicalista Cícero Firmino reconheceu ontem que a candidata do PT é Dilma, mas lamentou: “Na sua época era melhor…”. O ex-presidente defendeu a sucessora.

Não volto O petista afirmou que está livre do “volta, Lula” e agora poderá fazer campanha pelo PT sem ser incomodado por boatos.

Mico Depois de ouvir críticas pela foto com Paulo Maluf, o candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, agora terá que explicar por que foi largado pelo PP.

Diga xis Vacinados, peemedebistas querem evitar uma pose de Paulo Skaf (PMDB) com o novo aliado. Alegam que Maluf era contrário a uma aliança com ele.

Espelho meu Skaf e Maluf já têm algo em comum: os dois são chamados de “doutor Paulo” pelos assessores.

Aviso prévio O convite público de Skaf para Henrique Meirelles ser secretário de Fazenda caso ele se eleja constrangeu o ex-presidente do Banco Central —que aceitou no susto. Por isso, Gilberto Kassab (PSD) reiterou que a decisão pode ser revista.

Adolar

Bacanal eleitoral De Alda Marco Antônio, ex-vice-prefeita de São Paulo, sobre a volatilidade política do presidente do PSD: “Muitos tentam puxar o Kassab para um lado, outros puxam para outro. Mas ele tem rumo e sabe o caminho certo”.

 


TIROTEIO

“Brasília não quer o ‘rouba, mas faz’ nem a incompetência do presente. Vamos mostrar que quem não rouba faz mais e melhor.”

DO SENADOR RODRIGO ROLLEMBERG (PSB), candidato ao governo do DF, sobre a volta de José Roberto Arruda (PR), que foi preso quando exercia o cargo.


CONTRAPONTO

A volta dos que não foram

Ao se despedir de Aloysio Nunes após seu anúncio como vice de Aécio Neves, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) lembrou que foi companheiro de chapa de Cesar Maia, eleito prefeito do Rio em 2004 pelo PFL:

—Fui um vice discreto, de dar inveja ao Marco Maciel!

Vencida a disputa, o tucano se disse escanteado:

—Descobri que ao vice é dada uma caneta, mas a minha veio sem tinta…

Leite achou que viraria prefeito quando Maia ensaiou disputar a Presidência em 2006, o que não ocorreu.

—Sou um ex-futuro-Kassab —lamentou a Aloysio.