Sarney temia sofrer quatro derrotas simultâneas nas eleições

Por Painel

Porta dos fundos Antes de desistir da candidatura à reeleição, o senador José Sarney (PMDB-AP) dedicou um mês inteiro a avaliar as chances eleitorais de seu clã. As pesquisas indicaram que ele corria o risco de sofrer quatro derrotas simultâneas, nas eleições para governo e Senado no Maranhão e no Amapá. Acostumado a fazer campanha próximo à máquina pública, Sarney tentaria renovar o próprio mandato em uma situação incomum: é adversário do governador e do prefeito da capital, Macapá.

Vai indo… Apesar de todas as mesuras que Lula e Dilma devem fazer a Sarney, os petistas vinham abandonando o senador em seus dois redutos eleitorais. No Maranhão, recusaram-se indicar o vice do candidato do PMDB ao governo, Lobão Filho.

… que eu não vou No Amapá, o PT decidiu lançar a vice-governadora Dora Nascimento para enfrentar Sarney na corrida ao Senado.

Todos contra um O esforço para derrotar Sarney uniu esquerda e direita no Amapá. Randolfe Rodrigues, do PSOL, estimulou a candidatura ao Senado de Davi Acolumbre, do DEM. “Era uma frente ampla contra o coronelismo”, diz o senador.

Agora é sério O vice-presidente Michel Temer (PMDB) telefonou para perguntar a Sarney se a decisão era para valer. Ouviu que a desistência de concorrer a mais um mandato é “definitiva”.

Madeleine Nostálgico, o ex-presidente vinha demonstrando a aliados um certo desalento com a política. Dizia que a atividade “decaiu muito” e que sentia falta de grandes figuras do passado.

Alves

Ela não deixa Com as ameaças de PR, PP e PTB a Dilma, dirigentes do PSB cogitaram procurar as siglas. Desistiram com medo de Marina Silva. “Eduardo Campos está jogando futebol carregando ela no colo. É muito mais difícil fazer gol”, reclama um aliado do pernambucano.

Olha eu aqui… O PSDB paulista retomou lobby para tentar emplacar José Serra como candidato a vice do presidenciável Aécio Neves. A ideia teria o aval de FHC.

… de novo A fórmula empolga o Palácio dos Bandeirantes porque abriria caminho para lançar o ex-prefeito Gilberto Kassab ao Senado. Assim, o governador Geraldo Alckmin amarraria o PSD em sua coligação.

Probleminha Aliados próximos a Aécio dizem que ele não tem a menor vontade de dividir a chapa com Serra. Ontem o mineiro não foi ao lançamento do livro do ex-governador. Mandou avisar que se atrasou e perderia um voo para Brasília.

Mais um O PRB, que controla o Ministério da Pesca, entrou do clube dos partidos que ameaçam abandonar a coligação de Dilma. Adiou sua convenção para o dia 30, no limite do prazo legal.

Retaliação O partido acusa o Planalto de isolar seu candidato ao governo do Rio, Marcelo Crivella, ao empurrar o Pros para o palanque de Anthony Garotinho (PR).

Freud explica Na convenção do Pros, Dilma citou Garotinho e “esqueceu” Lindberg Farias, candidato do PT.

Os preteridos Crivella almoça hoje com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), que não engoliu a aliança de seu partido com Cesar Maia (DEM). O bispo da Universal deve decidir até o fim do dia se mantém sua candidatura.

Visita à Folha A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, visitou ontem a Folha. Estava acompanhada de Mariana Riscali, coordenadora da campanha, e Rodolfo Mohr, assessor de imprensa.


TIROTEIO

“Não foi escolha, e sim imposição diante de um quadro adverso. Uma aposentadoria compulsória por falta de apoio popular.”

DO EX-DEPUTADO FLÁVIO DINO (PC DO B-MA), sobre o anúncio de que o senador José Sarney (PMDB-AP) desistiu de disputar a reeleição em outubro.


CONTRAPONTO

Marimbondos de fogo

Em 59 anos de vida pública, José Sarney (PMDB-AP) enfrentou poucos adversários tão implacáveis quanto Millôr Fernandes (1923-2012). Ferino no traço e no texto, o jornalista adorava atacar os romances do senador, que se envaidece mais da obra literária do que da política.

—É um desses livros que, quando você larga, não consegue mais pegar —disparou, sobre “Brejal dos Guajas”.

Quando Sarney assumiu a Presidência no lugar de Tancredo Neves, que adoeceu antes da posse, Millôr publicou um inesquecível cartum no “Jornal do Brasil”. Sua legenda trazia apenas duas palavras: “Fomos bigodeados”.